quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Instinto de mãe

Parecia que toda a vizinhança tinha vindo assistir aquele trágico espetáculo. O fogo consumia a residência de madeira enquanto os bombeiros tentavam extinguir as chamas. Na calçada, vários objetos foram salvos. Mas essa não é a história de uma família que teve a casa incendiada e, sim, de um pedido de ajudas que não foi ouvido, nem pelas pessoas que socorriam objetos, nem pelos curiosos hipnotizados pelas chamas. Luka tinha cansado de correr e latir para os humanos e arriscou-se pelos corredores em chamas na busca por suas crias. Eles estavam abrigados embaixo da pia, assustados. Lambeu-os, balançou o rabo e empurrou-os para fora com o focinho, na intenção de que eles a seguissem. Mas os pequenos se recusavam e se aninhavam junto do corpo da mãe. Luka uivou mais uma vez, na esperança de ser ouvida. Mas, quem iria se importar com eles?

Detrás de um armário surge uma figura negra que a cachorra conhecia bem, era a gata Safira (que muitas vezes perseguiu pelo pátio). Safira ousa se aproximar de Luka e seus filhotes, mas sem tirar os olhos da rival. E, assim, abriu a boca e agarrou pelo pescoço um dos filhotes, arrastando-o para fora da casa. Em seguida, voltou a vencer as chamas e a fumaça para buscar o outro filhote. A essa altura Luka respirava com dificuldade, asfixiada, incapaz de se levantar. O olhar das duas cruzou uma vez mais. "Cuide deles por mim", Luka parecia dizer, se entregando ao cansaço. Uma viga despenca e por pouco não atinge a gata, separando-a de Luka. Safira corre para fora, com o cachorrinho na boca. Um dos bombeiros vê a cena e se compadece do esforço da gatinha. Logo, imagina que podem haver mais filhotes a serem resgatados. Ele enfrenta o fogo e encontra Luka, resignada com seu destino. Ele a toma nos braços e a leva para fora. O homem do fogo coloca a cachorra ao lado dos filhotes, que se aninham junto da mãe. E o bombeiro logo sai para tratar dos humanos.

Safira vai se achegando de Luka, que respira o ar puro e mantém os olhar (de gratidão?) fixo na gata. E Safira lambe as suas feridas...

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