terça-feira, 31 de julho de 2007

I'll Stand By You

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Ela pôs para rodar um antigo CD, de uma trilha selecionada só com músicas que marcaram a sua vida. Nostálgica, revirava antigos diários à procura do endereço de uma amiga com a qual há muito perdera o contato. Ela soprava os cadernos empoeirados e se deixava levar numa viagem rumo ao próprio passado e ria-se das bobagens que escrevera, dos versos mal-feitos que compôs, dos desabafos, dos sonhos, das esperanças, dos desejos secretos, do relato do primeiro beijo. Aquelas páginas cheias de "orelhas" faziam parte do livro de sua vida e, bem ou mal escritas, contavam a história de uma jovem inocente. Ora, ela ria de si mesma lendo antigos pensamentos, ora enternecia-se...
Inesperadamente, viu cair de meio das páginas uma flor amarelada e extremamente frágil ao toque mais brusco. No CD, Pretenders toca "I'll Stand By You".
Delicadamente, ela recolhe a flor achatada e seca, sendo invadida por um turbilhão de imagens. Do primeiro homem que realmente amou. Boba, sorria. Boba, chorava. Nem lembrava mais o porquê de não estarem mais juntos. Junto daquela flor lhe vinham à mente gestos, palavras, promessas, abraços, beijos, olhares. Seu coração apertou com as lembranças e as cobranças de uma vida não vivida, de um caminho não percorrido. Hora de abandonar o passado. Encontrado o telefone daquela amiga, ligou para compartilhar antigas emoções. A voz masculina que disse "alô" (era ELE...) fez o seu coração acelerar. (que clichê, pensou). Desligou. Não conseguia falar. Tudo tão rápido. No CD, Pretenders ainda tocava "I'll Stand By You"...

Eterna guerra

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Frente a frente o bem e o mal, representados tal qual o I-Ching. Éramos combatentes, dispostos a morrer por nosso reino, se fosse preciso. Acreditávamos no caráter de nosso rei e nos ideais de igualdade e justiça que nos haviam sido inspirados. À nossa frente, o inimigo. Observávamos seus passos ruidosos como quem observa a própria imagem num espelho. Porém, uma imagem distorcida. A sombra negra do outro era contrária a tudo que julgávamos correto. Eram inimigos da justiça, da honra e da igualdade. Nosso inimigo era sorrateiro e desprovido de virtudes. Sua existência era uma afronta à soberania de nosso rei e à angelical figura de nossa rainha. Valia à pena morrer por nosso glorioso rei. Valia a pena morrer por nossa divina rainha. Assim, avançamos com cautela. De forma estratégica, partimos para cima do inimigo. Porém, nossas defesas vacilaram. O mal não possui limites e sua sombra não pode ser subestimada. Com seus cavalos negros, avançaram ceifando alguns dos nossos, conquistando precioso espaço para que os seus sacerdotes malevólos lançassem mão de suas artimanhas, invadindo nosso reino com sua lábia tenebrosa. Assim, outros de nós, ao ouvirem tais palavras enfeitiçadas (e plenas de mentiras), e que diziam coisas agradáveis e nocivas, também foram dizimados, derrotados por suas fraquezas.À esta altura, lutávamos poucos de nós. Somente um cavaleiro ainda resistia bravamente. Nosso reino estava em chamas, nossas torres abaladas, assim como a própria fé dos nossos religiosos, diante do fim. Assim, nós, os remanescentes, pudemos perceber que o reino de cá, não era diferente do reino de lá. Que a sujeira também se escondia sob a tinta branca de nossas casas e que os ideais de justiça e igualdade proferidos por nosso rei era apenas uma ilusão, com a qual ele regava nossos sonhos e que garantia a realidade de privilégios. À esta altura, o covarde já se escondera, buscando preservar sua coroa. Não valia a pena lutar por ele. Era indigno morrer por um rei humano ou crer nas mentiras dos bispos, de vestes alvas e corações trevosos. Mas ainda havia a rainha. Exposta, abandonada por seu companheiro infiel, beberrão e luxurioso. Como era frágil o nosso reino que, em chamas, mostrava toda a sujeira que nunca havia sido vista. Nossa rainha chorava, mas corajosa, lançava-se à morte. Não valia a pena lutar por nosso rei, nem pelo frágil reino corrupto que ele erguera. Mas valia a pena lutar pela rainha e, principalmente, pela fé que pulsava em meu coração e que me fazia acreditar num Deus, diferente daquele descrito pelos religiosos de minha terra. Assim, de forma audaciosa e, até atrevida, coube a mim aproveitar-me de um momento de glória do inimigo para chegar próximo do imperador negro e cravar-lhe minha espada. Xeque-Mate.

O caminho

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Ele tentava parar. Sabia que as pessoas o julgavam e condenavam, atribuindo a ele inúmeros defeitos. Alguns, ele reconhecia, outros, "vinham de brinde", dizia. Mas, se questionava. "Será que sou assim?". A resposta, ele não sabia. Como também não sabia dizer os motivos pelos quais entrou por esse caminho. "Experimenta aí", foi o que um amigo lhe disse. E ele experimentou durante anos. E, adivinhe, acabou gostando. Achava que tinha mil motivos para isso. Era sua forma de se rebelar, de ir contra o sistema. Mas, preferia não apontar suas razões. Tinha medo de que seus argumentos fossem considerados ridículos ou mesquinhos. Mas ele tentava parar. Já tinha perdido amigos. Já tinha perdido oportunidades. E, sabia, estava perdendo a dignidade. "Você faz seu próprio inferno", ele pensava nisso. E tentava parar. Queria, sim, ser alguém na vida. Queria, sim, ter importância para alguém. Queria, sim, mostrar que também chorava. Que também sentia. Que também era humano.A verdade é que o mal o havia alcançado e ele não sabia como fugir disso. Para dentro do poço, nenhuma mão se estendia em sua direção. Em suas remotas lembranças de infância, pensa no avô, que o tomava no colo e dizia "será um grande homem". E ele tinha vergonha de ter traído o exemplo e a memória do avô. Não era um grande homem. Era um grande viciado. Mas ele tentava parar. Apesar de viver nas trevas, ele buscava alguma luz, mas só achava apoio entre os seus iguais, entre aqueles que dividia ilusões. "Experimenta aí". E ele experimentava. Num momento de êxtase (ecstasy?), viu-se caminhando em direção a uma luz muito intensa. Emocionado, ele abriu os braços e chorou: tinha encontrado o seu caminho. De dentro do trem, o maquinista avistou aquele jovem, com os braços abertos, percorrendo os trilhos rumo a locomotiva. E ele tentava parar...

Nova velha vida

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Quando jovem, ele nunca pôde comemorar o seu aniversário. Nunca soprou velinhas e coisas do gênero. Não tinha tempo (e nem dinheiro) para isso. Precisava trabalhar e sustentar a família. Hoje, aos 75 anos teria todo o tempo para isso. Mas não acha sentido comemorar mais um ano de velhice. Foi por por ter envelhecido que acabou parando num asilo. Hoje, sabe que esse lugar é a sua última morada. Abandonado, longe da família que ajudou a construir se vê sozinho em seu quarto que, para ele, é uma prisão. Assim como o seu corpo se transformou numa prisão. Antes, forte e disposto. Hoje, fraco e doente. Aos olhos dos filhos, deixou de ser um herói. Tornou-se um estorvo. No início, evitavam falar perto dele. Sussurravam.Cada qual manifestava os seus poréns. "Não posso ficar com o pai".

Nenhum dos quatro filhos podia. Suas pernas já não funcionavam bem e tinha problemas de saúde. Mas sua cabeça e o seu coração ainda funcionavam. À noite, chorava, sentindo o desprezo dos filhos. Lembrou de um velho cão sarnento que vivia pela vizinhança, o qual ninguém queria perto. Nem tudo eram dores. No asilo, conhecia histórias semelhantes a sua e outras, ainda mais tristes. Cada um servia como apoio e conforto ao outro. Mas ele estava só. No início, as lembranças lhe açoitavam. Outras vezes, vinham como uma brisa suave. Durante muito tempo, chorou e lamentou ter perdido a família. Fazia um ano que estava no asilo. E, numa manhã, foi surpreendido pelos outros idosos. No dia de seu aniversário, fizeram um bolo e cantaram os parabéns. Lágrimas e compreensão. Ele tinha perdido a sua família. Mas Deus lhe dera outra.

Homem-continente

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Alguém disse que nenhum homem é uma ilha. Como podia, então, ele manter distâncias continentais de outras pessoas? Só. Ele estava só. Pela manhã, arrastava os chinelos até a porta, onde recolhia o seu jornal. Lia sobre o que estava acontecendo no mundo, praguejava alguma coisa e mantinha longos diálogos consigo sobre as mudanças que julgava necessária para a sociedade. Chamava os políticos de corruptos e os vizinhos de fofoqueiros. Suas mulheres? Todas umas golpistas. Seus amigos? Uns falsos. Só podia contar com ele mesmo. E com o jornal que recebia todas as manhãs. Nem sempre foi assim. Era um grande homem. Forte, poderoso, inabalável. Fez de tudo para enriquecer e conseguiu atingir seu intento. Provou de todas as glórias, todos os luxos, mulheres, elogios, festas lotadas. Sua palavra, era solenemente respeitada.E ele envaidecia de si mesmo, de sua própria lenda. Sentia-se vigoroso, perene, amado. Seu sangue, era nobre. Por isso mesmo, não respeitava a opinião alheia. Por isso mesmo, quando ele falava, os outros calavam-se.
Por isso mesmo, queria ser amado, idolatrado. Por isso mesmo todos se foram. Eis que, hoje, velho. Permanece em meio a riqueza. Sua fortuna lhe faz companhia. Somente ela. Todos os outros se foram. Não eram dignos de compartilhar do mesmo ar que ele respirava. Ele arrastava seus chinelos para lá e para cá. De vez em quando, via a vida lá fora, por alguma fresta. Não atendia quem batia à porta. Quase sempre eram vendedores. Ou o jornaleiro, para cobrar a mensalidade. Até o dia em que o rapaz mudou de profissão. O jornaleiro parou de vir. O jornal, ele parou de assinar. E assim, se tornou uma ilha. Incomunicável. E ele vivia feliz, saboreando a sua própria infelicidade.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Bonitinhas, mas ordinárias

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Não costumo andar de ônibus. Na verdade, não gosto de andar de ônibus. Prefiro andar a pé do que entrar num coletivo. Isso porque basta eu entrar num, que já começo a ficar enjoado. Pode ser algo psicológico, já que quando eu tinha uns 10 anos, um "borracho", cheirando muita cachaça sentou do meu lado num ônibus que voltava de Santa Maria e ele vomitou no corredor. Ficou aquele cheirão enjoativo de cachaça durante a viagem inteira dentro do coletivo. Foi algo bem desagradável e, por isso, toda vez que entro num ônibus parece que sinto aquele cheiro horroroso. Bem, mas isso é coisa minha.
Eu não gosto de andar de ônibus, mas tenho muitos amigos que usam esse meio de transporte. Com relação a esse assunto, quero comentar duas coisas. Uma, é o preço que está sendo cobrado atualmente nas passagens urbanas em Santiago, equivalente ao valor pago em grandes cidades como Santa Maria, Porto Alegre e Curitiba. Acontece que, em tais cidades, o valor que você paga se justifica pelo grande trajeto que é percorrido. Santiago é uma cidade pequena e a distância de um ponto a outro não é tão grande assim. Sem dúvida que a empresa que presta serviço de transporte urbano, a Centro-Oeste, visa lucro. No entanto, se torna pesado para o bolso do usuário. A empresa tem custos? Veja só, o consumidor também tem. E paga por isso...
É uma reclamação que tenho ouvido de várias pessoas e é, até mesmo, motivo de discussão por parte de leitores do Expresso Ilustrado, em sua comunidade no orkut (clique para ler). Outro ponto que quero falar é com relação aos abrigos para usuários de ônibus. Vocês já viram os que foram instalados pela Prefeitura em frente a pracinha de brinquedos e na praça Moysés Viana? Na foto acima, você confere o visual. Elas são muito bonitinhas. Porém, também são muito ordinárias. Como disse anteriormente, não costumo andar de ônibus. Mas, olha só, analise a parada: a pessoa senta num ferro arredondado, totalmente desconfortável. Note a foto acima, só três pessoas estão sentadas no abrigo. Outras preferem ficar de pé. Claro, pode ter sido a coincidência na hora de tirar a foto. Mas, sabe, fiquei analisando. Certamente, quem mandou construir esse abrigo, obviamente não anda de ônibus (grande Ito...). E isso nós temos em comum. Acontece que se eu tivesse a responsabilidade de criar algo desse gênero, antes de fazer qualquer bobagem, iria fazer a coisa mais óbvia do mundo: mostrar o projeto para quem fosse fazer uso. Nada muito científico, simples assim, na verdade. Bastaria sentar numa parada e puxar uma conversa com o seu José ou com a dona Maria. "E aí, como é que seria um abrigo ideal?".
Nos dias chuvosos, já ouvi reclames diversos, as pessoas ficam com metade das costas descobertas, se molhando. É chuva de tudo o que é lado. Já ouvi "n" reclamações de pessoas dizendo que tais abrigos de ônibus não abrigam nada. A intenção de substituir as paradas anteriores por essa deve ser louvada no aspecto visual. Ficou show. Bonito mesmo. Agora, em termos de funcionalidade para quem tem de aguardar ônibus, ficou devendo. Ou eu é que estou sendo muito enjoado???

sábado, 28 de julho de 2007

Leiam esse livro!!

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Ami, o menino das estrelas" é um livro que nos traz uma história deliciosamente infantil com uma pureza de palavras e descrições que me encantou desde a primeira até à última página. Uma leitura que se mostrou viciante e extremamente rica em conteúdo.O seu autor é Enrique Barrios e estes livros são dirigidos às crianças, mas qualquer adulto beneficiaria com a sua leitura.Fala-nos de uma criança que teve um encontro extra-terrestre, de toda a aventura e da sua nova forma de ver o mundo e a vida à sua volta após tudo o que lhe foi mostrado. É uma leitura “universalista” que nos fala de amor, reencarnação, livre arbítrio, Deus, mundos evoluídos, universo, poder da mente e outras formas de estar e ser. É um livro que traz uma mensagem maravilhosa e urgente, que precisa ser lida por todos. Aproveitando que a Internet é essa ferramenta poderosa, clique no link abaixo, ou na figura acima para fazer o dowload do livro. Acredito que é um livro que poderá modificar o pensamento de quem o lê.
http://www.4shared.com/file/3220283/7f5cd80d

Procura-se...

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Colem cartazes nos muros, nos out-doors, atrás dos ônibus. Coloquemos anúncios nas rádios, propagandas na TV e jornais. Vamos distribuir folderes, pesquisar na Internet. Vamos vasculhar listas telefônicas, percorrer bairros. É urgente. Estamos à procura de Bons Exemplos. Eles precisam ser encontrados, resgatados, colocados em cativeiro. Recriados. Se souber de algum, não deixe escapar. É necessário para a nossa sobrevivência. Precisamos de Bons Exemplos. E rápido. De Exemplos que preservem pelo menos uma das grandes virtudes (a generosidade, a presteza, a ética, a amizade, a humildade, a serenidade, a compaixão, a paciência, a bondade, a sinceridade...).Precisamos vislumbrar aqueles que ainda alimentem ideais, que sonhem, que sintam, que chorem, que busquem a luz, que mantenham a humanidade e a capacidade de se indignar com o que é errado. Exemplos que perdoem, amem, abracem, sintam saudades, admitam erros e que ajudem aos outros desinteressadamente. Exemplos que semeiem amigos, que dispam-se das vaidades, que não invejem, nem violentem. Precisamos de Bons Exemplos para que nos inspiremos neles. Para que sejam nossos líderes, nossos ídolos, nossos ideais a serem seguidos. Precisamos dos Bons Exemplos para que as crianças conheçam o que é certo e belo. Antes que o errado as alcance e envenene. Precisamos de Bons Exemplos. Porque dos maus estamos cheios.

“O amor está precisando de líderes. E os líderes estão precisando de amor”. Shakira

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Censo indica falta de senso

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O Censo 2007, que está em fase de conclusão, aponta preliminarmente que a população de Santiago diminuiu consideravelmente desde a última vez que o IBGE realizou a sua pesquisa, em 2001. Tal notícia é, sem dúvida, uma bomba para a nossa comunidade. Naquela época, se observou que Santiago iria ficar abaixo dos 50.941 habitantes e que, com isso, iria perder repasses relativos ao Fundo de Participação dos Municípios de mais de R$ 1 milhão. Só que, naquela época, se chegou aos 50 mil e uns quebrados. Santiago tinha perdido população em função da emancipação de Capão do Cipó. Hoje, passados sete anos, o que ocorre é que Santiago poderá nem chegar aos 49 mil habitantes. Isso é desastroso!!! Novamente o município vai perder. Perderá um dinheiro que poderia ser revertido em benefícios na saúde ou geração de emprego. Aliás, certamente a pouca ofertas de empregos é que tenha justamente sido o principal motivo para a diminuição no número de habitantes. Tenho vários amigos que foram embora para Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria ou Porto Alegre, justamente pela inexistência de oportunidades. Tivemos algumas decepções, por exemplo, com o fechamento da uniade da Braspelco em Santiago e a própria diminuição no número de funcionários da unidade em Nova Esperança do Sul. Santiago também perderá representatividade política na Câmara de Vereadores, já que com uma população menor a 50 mil, poderá ter um número de 13 vagas na Câmara. Isso, se a Proposta de Emenda Constitucional do deputado federal Pompeo de Mattos for aprovada. É urgente e necessária uma análise de toda a nossa conjuntura política, social, econômica e educacional com relação a essa perspectiva do Censo. O que ele está nos mostrando é a nossa falta de ação, cobrança e de senso.

domingo, 22 de julho de 2007

O que penso sobre amor

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Amor para mim é algo universal. É o amor por todos, pela humanidade, por todas as criaturas. Como disse antes, acredito em Deus. Acredito num Deus que se multifragmentou por sua própria criação e que se fez semente dentro de cada um de nós. Somos, senão, a própria casa de Deus. Todos carregamos em nossos corações uma centelha divina.
E, como disse antes, Deus se manifesta em nós através do amor. O amor é, sem dúvida, a maior possibilidade humana. Amar a outra criatura como a si mesmo é, sem dúvida, algo sublime. Agora, acredito que o amor é algo realmente difícil. Amor não é paixão, não se pode confundir. Paixão, nascida do desejo, do sexo, do querer conquistar, isso não é amor. Tampouco, em muitos casos, acredito que a união homem-mulher resulte em um amor-verdadeiro. A máxima manifestação do amor verdadeiro, creio, é aquela que a mãe nutre por seu filho. Um amor que é capaz de dar a vida, de não medir esforços pelo bem do outro. Isso é o verdadeiro amor. E, creio que nós humanos, estamos ainda longe de compreendê-lo em toda a sua extenção.
Amar, verdadeiramente, é amar a todos. É não fazer o mal a ninguém. Não fazer contra o outro aquilo que não gostariamos que fosse feito contra nós mesmos. Amar é respeitar, é ajudar desinteressadamente, é buscar compreender. Amor é algo difícil, sem dúvida.
Se houvesse mais amor no mundo, certamente não veríamos tantas dificuldades aí na sociedade, dissoluções, brigas, conflitos, ódio, enfim. Manifestar amor não seria sair abraçando e beijando todo mundo. Apenas adotar uma postura de respeito e igualdade para com todos. E esse todos engloba também aos animais, cães, gatos, cavalos, florestas.
Acredito que o nível de amor em nosso planeta esteja um tanto baixo e isso me preocupa. Voltando ao exemplo do amor da mãe pelo seu filho: ela é capaz de qualquer coisa pelo seu filho, mas não é capaz de fazer o mesmo pelo filho do vizinho. E por quê? Porque não compreendemos nem praticamos o amor em toda a sua extenção. O fazemos apenas em parte. Gostamos de quem gosta da gente. Amamos a quem nos ama. Ou seja, é o caminho mais fácil que existe. Eu sei, tentar nadar contra a correnteza é, indubitávelmente, algo muito difícil.
Mas, enfim, quero falar sobre o amor. Assim como uma muda de rosa não pode nascer num solo pedregoso, o amor verdadeiro também não pode florescer em corações corroídos por ranços e maldades. É preciso fazer uma auto-análise, buscar compreender a si, buscar ajudar a si, abrir a guarda e procurar o caminho do bem. De fazer o bem, de buscar o bem. Desta forma, vai se preparando a terra, permitindo que o terreno possa florescer. E, outra, o amor é, sim, uma flor que precisa ser regada todos os dias.
Com relação ao amor homem-mulher, ele se dá por afinidade. Nós buscamos manter relações com pessoas com as quais temos afinidades. Quando conhecemos uma pessoa, buscamos um ponto de identificação. No caso de nos apaixonarmos, o que resulta disso é que se verificou afinidades. "Você gosta disso e eu também". A partir daí, surge a paixão. Pode ser por uma questão de pele, como dizem, ou por sentimentos, pensamentos, mas geralmente é por coisas afins. Aí, se inicia uma relação. É algo, na verdade, um tanto narcísica. Eu me apaixono por você porque reconheço em você uma afinidade por mim, pelas coisas que eu gosto, pelas coisas que eu sou. Você me faz bem, me faz sentir bem. Logo, ao me apaixonar por você, eu estou apaixonado por mim. Estou vendo no reflexo de sua paixão, a minha própria imagem. Você gosta de mim e eu gosto de você porque você gosta de mim. Claro, eu acredito que, a partir daí, você desenvolve um relacionamento que pode "dar certo" ou não. O amor homem-mulher precisa da paixão para surgir. Mas ele dispensa a paixão para existir. O amor, por si só, possui forças e deve se renovar diariamente. Bom, esse post já está longo. Voltarei a falar sobre esse assunto.

O que penso sobre religião

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Se eu não me engano, Karl Marx dizia que "a religião é o ópio do povo". É de se analisar essa afirmativa. Antes que alguém me julgue, quero dizer que não sou marxista. Se é para me definir, me definiria como socialista, mas isso já um âmbito político. Bem, tenho sentimentos controversos acerca de religião. Ao mesmo tempo que eu concordo com Marx, de que a religião é o ópio, também acho que ela é um mal necessário.
Tem uma frase de Cristo na Bíblia que diz que não se necessita de Igrejas para se chegar ao Pai. Neste ponto, quero dizer que sou batizado pela Igreja Católica, mas faz muitas anos que não piso dentro de uma igreja. Não fiz a primeira-comunhão e, possivelmente, nem vou casar numa igreja.
Para mim, a Igreja é senão uma grande empresa. Uma empresa que comercializa produtos da marca Jesus Cristo, Deus, Maria etc. Acredito em Deus, acredito em Jesus, acredito no poder da fé. Mas, para isso, não preciso de igrejas.
Acredito que há muitas pessoas bem intencionadas dentro da igreja. Há os equivocados sinceros que julgam que aquele caminho é o certo. Bom, quem sou eu para apontar um caminho para alguém? Mas acredito que não há um caminho mais verdadeiro e objetivo do que o caminho de nosso próprio coração.
Ao longo dos séculos, muitos crimes foram cometidos em nome da religião, em nome da igreja. Creio que isso não pode jamais ser esquecido. Creio que a forma como cremos em Deus ainda é uma forma arcaica, herdada de muito tempo atrás. Creio que Deus não está em cima das nuvens jogando raios na cabeça dos pecadores. Creio na existência de um Deus presente em cada átomo que compõe cada coisa, cada ser humano, árvore, pedra, rio. Acredito num Deus-hierárquico formado por nossa própria consciência coletiva. Acredito que Deus existe e a sua manifestação em cada um de nós se dá através de nossa Consciência e do Amor.
A Consciência é aquela que nos cobra a seguir e fazer o que é certo. E o amor é aquele sentimento mais sublime que todos carregamos.

O que penso sobre futebol

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Ok. Vou começar light. Todo brasileiro é apaixonado por futebol, certo? Hmm. Neste caso, me incluo nas excessões à essa regra. Não dou a mínima para futebol. Para falar a verdade, até tenho uma certa afinidade pelo Grêmio. Mas, também tenho simpatia pelo Internacional, Juventude, Caxias, enfim, qualquer time gaúcho. Torço por qualquer equipe gaúcha que esteja jogando contra outro time de fora do Estado. Se Grêmio e Inter se enfrentarem, torço pelo Grêmio. Mas em qualquer outra situação, torço pelo Inter. Vibrei por ele ter conquistado o título de campeão mundial. Vejamos, torço pelo Grêmio, mas se a equipe jogar contra o Juventude, torço pelo Juventude.

E se o Grêmio jogar contra o Cruzeirinho de Santiago, a minha torcida vai ser pelo Cruzeirinho de Santiago. Ou seja, sou um gremista um tanto infame que pouco torce por seu time. Acontece que não tenho o menor fanatismo por futebol.

Continuando: não dou a mínima mesmo para Copa do Mundo. Acho que o povo brasileiro supervaloriza essa porcaria que, mesmo que o Brasil ganhe, não representa porcaria nenhuma em termos de mudança social. A conquista é uma mera vaidade, que não muda a vida de ninguém e, na verdade, desvia a nossa atenção para as coisas que realmente importam. Acho que não vale de nada o Brasil ser Pentacampeão no futebol, se é o país que possui índices vergonhosos na educação, na saúde, na segurança etc.

Ou seja é puramente um orgulho besta ficar se achando porque "somos" pentacampeões. Eu vestiria uma camiseta do Grêmio. Eu vestiria uma camiseta do Inter. Mas jamais uma da Seleção Brasileira. Até porque a Seleção não representa nada do seu próprio povo. É uma equipe elitista formada por gente que é milionária e idolatrada, salve-salve.

Raramente assisto jogos de futebol pela TV. A não ser que eu esteja na casa do Cristiano, do Diniz, do João, enfim, e que a TV esteja ligada e estejamos aí conversando, tomando um mate. Agora, eu, ligar a TV para ver jogo de futebol? Neca. Só ligo a TV para assistir filmes.

Gosto de jogar futebol, sabe? Gosto de correr, de suar, de marcar gol. Uma vez por semana, o Chico e eu marcamos nossos futebolzinhos. Não gosto do futebol pelo esporte em si, mas sim, por me possibilitar um exercício bastante saudável. É o que eu penso sobre futebol.

Quem sou....

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Lembro que quando estava na colégio era comum alguns colegas se utilizarem de caderninhos para criar os famosos "Questionários". Não tinha quem não gostasse de respondê-los. Eram perguntas das mais variadas, que todos respondiam e que, muitas vezes, permitiam que você conhecesse melhor os seus colegas, pois no momento em que você estava ali, respondendo a sua parte, obviamente aproveitava para olhar o que os outros tinham respondido. Tais questionários podiam ser consideradas uma versão arcaica do "Orkut". Claro, o questionário está para o Orkut, tanto quanto o computador está para um ábaco. Mas, guardadas as suas proporções, a idéia era essa mesmo: de compartilhar informações e responder perguntas, além de deixar uma mensagem. Não lembro o que eu costumava responder nesses caderninhos. Mas sempre tinha uma perguntinha, como a que tem no Orkut, em que você responde quem é. Não saberia responder quem eu sou, afinal, sou a pessoa menos indicada para dizer isso. Não o faria com isenção. Temos uma noção do que somos, mas o que somos, pode ser dito e observado pelos outros, afinal, a nossa face está exposta para o mundo. Acho complicado de dizer quem eu sou, mas posso dizer o que penso. Pois bem, neste e nos posts seguintes vou escrever sobre algumas coisas que eu penso sobre assuntos diversos...isso pode demorar algum tempo...

Novo (velho) blog

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Pois é, pessoal. Acho que vou ter que mudar para cá, para o Blogspot. Criei esse blog aqui em dezembro de 2005, onde fiz só uma postagem. Sei lá, não tinha curtido o Blogspot e deixei esse blog parado. Na época, o meu blog do Weblogger, que eu tenho desde junho de 2005, dava dando uns atritos, estava fora do ar e eu não conseguia publicar nele. Resolvi então migrar para o Blogspot. Nesse meio tempo, o Weblogger voltou a funcionar e aí, voltei para o amor antigo e deixei esse de lado. Acontece que, de novo, o Weblogger anda ruim. Ele já me aprontou uma e o servidor deletou todos os meus arquivos anteriores a janeiro de 2007. Perdi um monte de textos. Bem, por essas e outras é que estou aqui, no Blogspot.

Criei também, neste findi, um guia de Blogs. (Acesse em http://www.blogsdesantiago.blogspot.com). É um blog que serve como guia para todos os outros blogs de nossa cidade, conhecida como "Terra dos Poetas". Resolvi reunir todos num só espaço. Coloquei propaganda dele em várias comunidades no orkut, com o intuito de chamar a atenção para o trabalho do pessoal de Santiago que escreve. E bem.

Bom, assisti neste final de semana ao filme "Pequena Miss Sunshine", que concorreu ao Oscar de Melhor Filme neste ano, perdendo para "Os Infiltrados". Cara, adorei o "Miss Sunshine". É um filme muito humano, com personagens bem desenvolvidos e situações hilariantes e tocantes. Um excelente filme. A título de comparação, na minha opinião, merecia mais o Oscar de Melhor Filme do que "Os Infiltrados". Agora, por eliminação, eu ainda acho que o Oscar de Melhor Filme deste ano teria que ser para o "Babel", que é um filmaço. Ainda não assisti a "Cartas de Iwo Jima", que era outro indicado para fazer a comparação, nem a "A Rainha", mas até agora, estou convencido que "Babel" era o melhor de todos. Bom, ganhou o Scorcese. Não achei que merecesse, mas ganhou.

Tive brigas diversas com o Chico, meu amigo e cinéfilo, sobre este assunto. Ele achava que era a hora do Scorcese. Eu, achava que o Scorcese realmente merecia um Oscar pelo seu trabalho. Mas, creio que este Oscar deveria ter vindo para ele ainda nos anos 70, com a direção de "Táxi Driver" ou "Touro Indomável". Nas outras vezes em que o Scorcese concorreu, ele enfrentou por exemplo Steven Spielberg e Clint Eastwood. Aliás, na minha opinião, era o velho Clint que deveria ter ganho o Oscar de Melhor Diretor deste ano.

Por que?? Ora, veja bem, o cara tá com 75 anos e dirigiu dois filmaço sobre o mesmo tema: o "Cartas de Iwo Jima" e "A Conquista da Honra". Esse Oscar era para ser do Clint, por méritos. Mas foi para as mãos do Scorcese não tanto por seu último trabalho, "Os Infiltrados" e, sim, mais pelo conjunto da obra. Particularmente, já acho que era ele quem merecia ter levado aquele ano em que o Clint levou por "Menina de Ouro". Com "O Aviador", Scorcese criou um espetáculo visual e uma excelente direção de arte. Sei lá, estou divagando.

E como você deverá analisar, meio fora de época, não é não?

Vida: a grande mestra...

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Sabe aquela história de que "quem espera sempre alcança", que "nunca diga para Deus que você tem um grande problema e, sim, diga para o problema que você tem um grande Deus"? Também aquele lance de que não importa o quanto brade a tempestade, o sol sempre voltará a brilhar com intensidade? Ou, aquele outro dito popular que "no andar da carroça as melancias se ajeitam"? Isso tudo e muito mais, não é apenas filosofia de parachoque. É tudo verdade. Você embarcou nesta vida? Legal. A viagem é longa e o barco nem sempre cruza por mares de rosa. No pacote, constam muitos desafios. Nem sempre o sol brilha, mas nem sempre ele se ausenta. Os problemas surgem para serem enfrentados, encarados, sim. A felicidade, para uns, é utopia. Para outros, um estado de espírito. Você se importa com críticas? Prepare-se. Quanto mais se importar, mais elas virão. Você se deixa abater pelas intempéries? Aguarde e compre um guarda-chuva.Você quer dar uma de sábio? Junte forças para aguentar as provas. A sabedoria só vem com a dor. Só vem com o ensinamento. E nada ensina mais do que a vida, a grande mestra. E, na vida, nada ensina mais do que a tristeza, do que a dor. Por quê? Eu, acho que para podermos compreender o que é ser feliz. Pois, felicidade não existe sem tristeza. Bem não existe sem o mal. Dualidade. Livre-arbítrio. Deus e diabo. Opção e consciência. Ora, mas quem sou eu para falar sobre a vida e filosofar sobre. Ninguém. Não sou nada. Sou poeira cósmica. Menos que um grão de areia, totalmente insignificante. Se não sirvo para construir que, pelo menos, não sirva para destruir. Se não sirvo para somar, pelo menos que não sirva para subtrair. Que eu seja zero. Nulo. Nem do lado de lá, nem no de cá. Fica mais fácil buscar o equilíbrio.

Noites de inverno

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Sim, as noites de inverno são mais românticas, são mais bonitas. As estrelas parecem brilhar mais e, na verdade, a sensação de frio parece nos aproximar até mais das estrelas.

Alguém já levou você para mais perto das estrelas?

As noites de inverno me levam para mais perto das estrelas. As noites de inverno são reflexivas e contemplativas. As noites de inverno são frias e, por isso mesmo, nos fazem buscar o calor, o aconchego, a luz. O inverno é, sem dúvida, lindo. As noites de inverno refletem a frieza de minha alma, endurecida pelo frio de noites de inverno chorosas, dolorosas. As noites de inverno são propícias a sopa, chocolate-quente, cobertor. As noites de inverno me fazem andar de chinelo e de meias, mesmo sendo uma infeliz combinação (dentro de casa. Não há problemas...). As noites de inverno me fazem pensar em comprar um casaco novo ou um coturno da Black Frost. As noites de inverno nos colocam as mãos dentro dos bolsos. As pontas frias dos dedos. A luva não vence. O ressecamento dos lábios. Manteiga de cacau resolve. As noites de inverno chegam a zero grau. Fazem desejar que caia neve. E nunca neva. Never. Faria um boneco feio, igual aos dos filmes. Jogaria uma bola gelada em alguém. Só para ver sorrir. Só para ter de me esquivar da desforra. Tornar quites. As noites de inverno podem ser mais quentes que as mais quentes noites de verão. Eis o charme das noites de inverno. Que são românticas. Por tudo o que eu disse e por tudo o que ficou subentendido. As noites de inverno não precisam de explicação. As noites de inverno são o que são. E são românticas.

Herói de papel

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Seu Silva chegou em casa feliz. Tinha sido o seu dia de sorte. Deu um beijo na esposa e a presenteou com um vestido novo. Para o seu filho, deu algumas revistas em quadrinhos. O garoto colecionava gibis de super-heróis. Sua esposa indagou o motivo dos presentes. Nada especial, apenas queria demonstrar que gostava deles. Ele resolveu manter em segredo que havia encontrado uma carteira na rua, recheada de dinheiro. "Achado não é roubado, quem perdeu é o relaxado", seu Silva pensou. Mas sabia que sua esposa não pensaria da mesma maneira. Se ele contasse, certamente ela iria lhe reprender. Mas, ora vejam, seus olhos brilhavam enquanto experimentava o vestido novo. Para quê estragar o momento? Seu Silva estava feliz. Pagou as contas, fez compras e ainda levou a esposa para jantar fora. Deus tinha lhe dado uma grana extra naquele mês.

"Perdi a carteira, mulher". Foi assim, de forma direta, que aquele senhor de idade deu a notícia para a companheira. E ele contou que havia sacado o dinheiro da aposentadoria de ambos no caixa eletrônico. Pôs o dinheiro na carteira e se foi fazer o rancho. "Me deu uma frouxura nas pernas quando vi que tinha perdido", ele disse. Sua esposa o consolou. Podia ser que alguém devolvesse. O velho quase riu da sua ingenuidade, mas se conteve. Seria como rir de sua própria desgraça. "Pelo menos, espero que quem tenha achado esteja precisando". O velho suspirou, ao pensar na peregrinação para refazer documentos, retirar novos cartões eletrônicos etc. "Vai ser um mês apertado". Nisso, uma batida na porta. Era um garoto, catador de papéis. Tinha achado no lixo a carteira daquele senhor. O velho, agradecido, abriu a carteira: nenhum centavo. Mas ofereceu como recompensa ao garoto uma caixa de gibis, que seu filho colecionou durante anos. O garoto agradeceu e foi embora. Feliz com os seus gibis de super-heróis. Sem saber que, naquele dia, ele tinha sido um.

Em pedaços

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Saudade. Era o que ela sentia quando olhava para ele. Saudade da pessoa que ele um dia foi. Não era mais. A magia, o encanto havia se quebrado. Se a paixão é narcisista e só nos faz enxergar as familiaridades (eu gosto disso, você também...), esse misto de raiva e decepção só fazia apontar defeitos que antes, não fazia questão de enxergar. Sentia que cada dia morria um pouco. Sim, é verdade que morremos mesmo a cada dia, nos aproximando do minuto fatal. Porém, percebia que seus sentimentos desmoronavam a cada dia. Nesses momentos, em que o pranto lhe escorria pela face, seu coração apertava, pesava. 

E ela sentia saudade. Tinha saudade não mais do amor tresloucado e dos gestos grandiloquentes dos primeiros atos de romance. Tampouco tinha saudades do primeiro presente de Dia dos Namorados. Tudo era apenas promessa, ilusão, um conto de fadas, como toda relação inicia, fazendo com que acreditasse que eram predestinados a viverem lado-a-lado. Nesse tempo, era como se a terra fosse preparada e somente mais tarde, o amor brotasse como uma flor. E era disso que ela sentia saudades. 

Saudade da forma como o seu corpo se encaixava no dele (e como ele a recebia) nas noites chuvosas (ela tinha medo dos trovões). Saudade do olhar de cumplicidade e do sorriso desabrido. Saudade do cheiro e dos lábios carinhosos, não esses de hoje, frios e indiferentes. Ele, hoje um estranho, dormia ao lado dela. E ela tinha saudades de alguém que estava perto, mas que há muito havia partido. Em pedaços.

Um cidadão de bem

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Durante toda a vida, seu Silva foi um homem honesto e trabalhador. Nos últimos dois anos, aproveitou para descansar, cuidar da horta e curtir a aposentadoria. Seu Silva era feliz. Um homem pacato e religioso, que ia à igreja e que gostava de rezar o Pai Nosso (mesmo confundindo seja feita a vossa vontade, com seja feita a nossa vontade). Seu Silva, estava sempre de bem com a vida e gostava de tomar chimarrão na frente de casa. Só o que o deixava irritado era a piazada que jogava bola no terreno ao lado e que, de vez em quando, arremessava a pelota no seu jardim, arruinando suas roseiras. Isso realmente o enfurecia, a ponto de furar as bolas que pegasse. Seu Silva tinha filhos, mas eles moravam longe. Ele tinha sido casado, mas perdeu a mulher para uma dessas fatalidades da vida: bala perdida. mas seu Silva já tinha feito as pazes com Deus, pois compreendia que tivesse sido vontade divina que a mãe de seus filhos tenha recebido um balaço na testa. Coisas da vida.
Seu Silva acompanhava os noticiários, tinha medo da violência e era indignado com a situação política do país. Chegou a botar o nome do seu gato de "Mensalão", em homenagem aos gatunos de Brasília. Ele também achava que o Lula era boa gente e que era melhor ele na presidência do que os milicos. Seu Silva pagava seus impostos e estava determinado a votar contra o desarmamento. Achava que cidadãos de bem, como ele, mereciam ter uma arma e se indignava com essa história de desarmar o cidadão, deixando armado o ladrão. Uma noite, ouviu um barulho ao redor da casa. De repente, um vulto cruzou pela janela, circundando o pátio. Seu Silva se assustou, pegou o 38 que tinha no armário e ficou à espreita. Quando avistou o vulto novamente, não hesitou e PÁ-um disparo certeiro de seu 38. Ele abriu a porta e deu de cara com o corpo de uma criança de 12 anos com o peito aberto, uma bola ao lado do corpo, e sangue espalhado pelo seu belo jardim. E Seu Silva, um homem de bem, foi preso por ter cruzado a tênue linha que separa um cidadão de um assassino.

Sobre homens e cães Dia frio e chuva

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Deitado na calçada, o pequeno cachorro tenta se aquecer, insiste em tentar dormir, talvez sonhar. É um cusco de rua, que vive das sobras que encontra e, vez por outra, da caridade de quem lhe jogue um pedaço de algo. E ele come faceiro, sem refugar nada, pois não pode se dar a esse luxo. Magrão foi o nome que alguém lhe deu, dá para deduzir porque. Magrão não tem parada, dorme em qualquer calçada, aonde o cansaço lhe encontrar e ainda há quem o afugente. "Sai prá lá, jaguara". Hum, já ouviu isso tantas vezes: sai daqui para ali, sai daqui para lá. E sente que apesar do mundo ser tão grande, não há lugar para ele. Mas nem sempre foi assim. Há algum tempo, Magrão estava aquecido ao lado dos irmãos, provando do delicioso leite materno. "Como era maravilhosa a nossa mãe", lembra o animal. "Nos protegia,nos aquecia. Vigiava quando brincávamos na grama da casa onde morávamos com nossos donos". Nossos donos? Um dia, ele e os irmãos foram colocados dentro de uma sacola e despejados num beco qualquer. Passaram fome, frio, solidão. A primeira noite foi a pior. Numa hora, desfrutavam de calor e carinho. Na outra, traídos, jogados na chuva e no escuro, longe do amor da mãe, que uivava e chorava a ausência das crias, arrancadas de suas tetas. "Ai, ai, ai", longe, choravam eles também. Até que uma pessoa se compadeceu dos latidos e levou um dos pequenos. A chuva era forte e o frio intenso. No outro dia, só Magrão acordou, seu irmão caíra num sono do qual não se desperta. E Magrão ficou só, sofrendo uma perda atrás da outra. Qual crime teria cometido em sua breve vida para merecer isso? Logo, percebeu as diferenças do mundo e que não podia confiar em qualquer um. Viu cães de outras raças, passeando em carros, com coleiras coloridas ou roupinhas engraçadas. Não sentiu inveja, pois graças ao Senhor dos Cachorros, seu coração desconhecia isso. Eis que um dia, alguém olhou para ele e percebeu que, bastaria banho e comida e o cão ficaria bonito, pois tinha algum valor. Assim, Magrão ganhou a chance de ser feliz.


"Nem todas as histórias tristes precisam ter um final triste..."

Simplesmente amor...

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"Sempre que me entristeço com o mundo, penso nas pessoas nas chegadas dos aeroportos... Dizem que vivemos num mundo cheio de ódio e ambição. Mas, eu não acho.Sinto que há amor em todo o lugar. Nem sempre algo que valha alguma manchete, mas ele está por aí: pais e filhos, mães e filhas, maridos e mulheres, namorados e namoradas, namorados e namorados, amigos antigos... No atentado às torres gêmeas, os recados de quem estava nos aviões não foram de raiva. Eram todos mensagens de amor. E se você procurar, creio que descobrirá que o amor, simplesmente amor, está por aí, em todo o lugar..."

Frase inicial do filme "Simplesmente Amor", dita pelo personagem de Hugh Grant.

sábado, 21 de julho de 2007

O chimarrão do pai

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O pai ainda morava no velho rancho. Foi lá que ele construiu a sua vida e criou o único filho. Hoje, o velho morava só. A companheira de tantos anos tinha passado para o outro lado. Ele acreditava que ela o estaria esperando quando chegasse a sua vez de partir. Ele mateava ao final de uma tarde, quando seu cachorro, o Magrão, começou a latir. Viu o seu filho chegando, abrindo a portão e indo até ele, pronto para abraçá-lo.

- Olá, meu pai. Vim tomar um chimarrão contigo...
O velho se emocionou em ver o filho e o abraçou. Fazia anos que o guri tinha casado e ido embora. O velho encheu a cuia e alcançou para o filho. Ele parecia diferente, com um olhar mais maduro.
- Pai, quero te dizer que tudo o que aprendi contigo foi valioso. Que devo ao senhor tudo o que sou...
O velho balançou a cabeça.
- Deixa disso, guri. Tu é muito mais sabido que eu, um ignorante. Fez tua vida e ganhou o mundo...
O filho sorriu.
- É, eu tinha essa idéia tola de querer ganhar o mundo, de querer vencer, acumular riquezas, de ter uma vida melhor. Eu achei que sabia muita coisa, que iria mudar muita coisa, que iria ganhar muitas coisas. Mas, pai, te digo: não há riqueza maior do que o amor que o senhor e a mãe me deram. Não há, para mim, outro lar nesse mundo, senão aqui, onde nasci. O engraçado é que eu tive que sair daqui e percorrer o mundo para descobrir que tudo o que eu mais precisava para ser feliz sempre esteve aqui, exatamente do lugar que eu deixei para trás. O telefone toca dentro da casa. O velho se levanta.
- Vai enchendo o mate que já volto...
Abruptamente, o filho segura sua mão. O cachorro olha a cena atento.
- Antes do senhor ir, quero pedir desculpas por algumas coisas e quero que saiba que eu te amo, pai. E que ela mandou dizer que continua o amando para sempre, como prometeu...
O guri estava esquisito, mesmo. O velho foi atender ao telefone. Era a sua nora, chorando.
- Encontraram o corpo dele esmagado nas ferragens. Morreu há uma hora atrás...
O velho derrubou o telefone e correu para a varanda. A cuia do mate estava cheia, à sua espera. E o cachorro latia sem parar na direção do portão...

O que é invisível aos olhos

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Ele era um romântico elevado à nona potência. Sua idéia de viver um grande amor incluiria jantares à luz de velas e dançar ao som de "Wonderful Tonight", de Eric Clapton. Já ela, não tinha grandes ilusões amorosas. Nem mesmo gostava de receber buquês (odiava flores assassinadas, embalsamadas num buquê). Música? Podia ser aquela mesmo que ela cantarolava nas manhãs de sábado, enquanto cozinhava. "Só ligue-ei, liguei pra te dizer que eu te amo-o, que os momentos que felizes nós passamos, se morrer irá morrer junto comigo-o". Ou seja, eles dois não combinavam em nada. Um dia, aproveitando que ela tinha ido ao mercado comprar ingredientes para o almoço, ele colocou suas roupas numa mala e partiu. Não sabia como dizer adeus. Mas precisa ir. Precisava seguir seu rumo, viver a sua história, encontrar um grande amor, viver seu grande sonho. E ele foi. E ela ficou.

Ela era realista. Sabia que isso poderia acontecer um dia, afinal, nada é para sempre. Sentia a falta dele mas, total, acostuma-se com a ausência, acostuma-se com a dor, acostuma-se com tudo. Ela sofreu, sim, mas tocou sua vida (estava com o orgulho ferido e não admitia correr atrás). Ele viveu as suas histórias, as suas paixões épicas. Em cada beijo, em cada abraço, de cada mulher que conheceu, ele procurou aquele "algo mais". Onde estava aquele grande romance, aquele amor tresloucado que ele tanto viu materializado nos filmes, e que ele tanto sonhou ouvindo as suas músicas? Sim,ele encontrou os grandes beijos, as noites memoráveis, os beijos na chuva e até mesmo dançou "Wonderful Tonight". Só que, engraçado, ele sentia falta das pequenas coisas. Dos "Detalhes Tão Pequenos de Nós Dois" daquelas músicas xaropes que ela cantava aos sábados, enquanto cozinhava. "Para mim. Ela cozinhava para mim", ele lembrou. E começou a lembrar também das suas roupas sempre bem passadas e perfumadas. Do bife preparado como ele gostava. Do jardim bem cuidado. Do vinho na geladeira. Da mão no ombro naquela vez em que ele perdeu o emprego. Das confissões, dos diálogos, dos medos, dos desejos. Num momento de luz, ele percebeu que o seu grande amor estivera diante dele o tempo todo. Só que esse amor aparecia em doses diárias e homeopáticas, nos momentos em que ele mais precisava que esse pequeno amor se manifestasse. E ele aparecia como que assim: invisível aos olhos (o essencial é invisível aos olhos...).
Foi até a casa dela, precisava revê-la, abraçá-la, beijá-la, precisava...que ela lhe perdoasse. Parou diante da porta de sua casa. Tocar ou não a campainha? Ele quase era capaz de ouvir a respiração dela do outro lado. Já tinha se passado algum tempo, será que alguém não estaria ocupando no coração dela o lugar que um dia havia sido seu? Dúvidas, dúvidas. Ele, que tão resoluto e repentinamente havia abandonado-a, agora estava ali, de volta a porta de casa dela. Bastava tocar a campainha e revê-la, encarar o que tivesse de encarar, dizer o que tivesse de ser dito. Ouvir o que tivesse de ser ouvido. E, claro, ele sabia que teria de responder aquela inevitável pergunta que ela faria: por que? Por um momento, ele hesitou. Não saberia o que responder...

Dentro da casa, deitada no sofá da sala, ela olhava para o nome e o número descrito na tela de seu celular: o dele. Ligar ou não, eis a questão. Bastava ligar e ouvir a sua voz, dizer o que tivesse de ser dito. Ouvir o que tivesse de ser ouvido. Mas para ela, tudo se resumiria a uma só pergunta: por que? E ambos estavam ali. Em um segundo, tudo poderia mudar ou tudo poderia retornar ao que era. Bastava um toque na campainha. Bastava um toque no celular.E foi nesse segundo de hesitação que ele resolveu ir embora e ela ligar para outra pessoa. A história real termina aqui. O que não foi e o que poderia ter sido só continuou nos sonhos de cada um...

Reinauguração de blog!!!!

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E aí, pessoal. Beleza? Estou reinaugurando o meu blog. Na verdade, criei esse blog, com esse endereço aí, em dezembro de 2005, ou seja, há quase dois anos. Na época, o meu outro blog, que eu havia criado através do provedor do Weblogger estava dando uns "tilts", ou seja, não estava funcionando. Aí, resolvi criar no Blogspot, que possui um sistema bem mais confiável. No entanto, o Weblogger voltou a funcionar e aí continuei com ele. Ocorre que, um tempo depois, o Weblogger deu problema de novo e perdi todos os meus arquivos, tendo que reiniciar o trabalho a partir de janeiro de 2007. Bom, estou retomando este endereço registrado no blogspot porque, mais uma vez, o Weblogger está me deixando na mão. Então, vou começar a atualizar o meu blog por aqui mesmo. Não que eu vá deixar o outro de lado (sou meio sentimental e me apeguei aquela porqueira lá...). Mas enfim, o Blogspot é bem melhor, já que não possui limites para postagem de fotos. Sendo assim, aqui vai ter muita foto também. Falando nisso, você pode visitar o meu outro blog, o Visões de Santiago, que é só de fotos de Santiago. Grande abraço.