quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Trabalho escravo no RS: Ração para cavalo e água contaminada

"Uma operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Brigada Militar e Polícia Federal flagrou ontem 36 pessoas em situação de trabalho escravo, em uma lavoura de eucalipto, na região central do Estado, perto do município de Cacequi. Vinte e nove homens, quatro mulheres e três crianças estavam produzindo dormentes para a sustentação de trilhos. Segundo informou o delegado do Ministério do Trabalho, Heron de Oliveira, o grupo tomava banho e bebia água de uma sanga contaminada, utilizada por agricultores para lavar equipamentos agrícolas. Além disso, foram obrigados a comer ração para cavalos, quando acabou seu estoque de arroz e feijão. Todas as pessoas que estavam em situação de trabalho escravo foram libertadas e hospedadas em um hotel, em Cacequi, pago pelo Ministério do Trabalho.O chefe da Delegacia Regional do Trabalho em Santa Maria, José Locatelli, disse ao jornal Zero Hora que o nome da empresa e dos empregadores estão sendo preservados “para fins de negociação dos pagamentos que os trabalhadores têm direito”. “Os empregadores admitiram as irregularidades. Não queremos prender ninguém. A empresa poderá continuar funcionando, desde que cumpra a lei”, afirmou ainda Locatelli. Aparentemente, o chefe da DRT de Santa Maria considera que obrigar pessoas a comer ração para cavalos e beber água contaminada configura apenas uma “irregularidade” que não deve engendrar maiores punições. Este é o Rio Grande velho de guerra. Praticamente todas as semanas, pessoas em situação de trabalho escravo são libertadas em várias regiões do país, e o nome dos responsáveis é divulgado. Aqui, na terra dos homens de bem, mantemos os nomes em sigilo para que as “irregularidades” sejam corrigidas sem maiores alardes".

Escrito por Marco Weissheimer

2 comentários:

Anônimo disse...

NÃO É SÓ PENSAR, MAS SIM SABER QUEM SÃO OS RESPONSAVEIS, ATÉ QUANDO O NOSSO BRASIL VAI TOLERAR ESTE TIPO DE COISA, ATÉ QUANDO VAMOS CRUZAR OS BRAÇOS...MEU DEUS OQUE SERÁ DE NOSSO POSSO DAQUI ALGUNS ANOS.....O PROBLEMA É QUE ATÉ PARAGUAIOS FORAM ENCONTRADOS TRABALHANDO...SERÁ CULPA DOS EMPREGADORES OU DA NOSSA POLICIA QUE PERMITE A PASSAGEM DE POVOS ESTRANGEIROS.......ATÉ QUANDO?

Anônimo disse...

Repúdio à falta de ética da mídia e da população.


Nem sei como falar sobre o que já está sendo por tantas vezes dito. Contudo, por saber que muitos sabem e por saber que mesmo sabendo ainda fingem não saber, deixo aqui o meu repúdio à apatia social, que deixa a mídia ser como é e que a sustenta. A mídia assim como a política, é reflexo de nossa sociedade. Marcada pelo ódio mal direcionado e alienado.
Deixo o meu repúdio àqueles que amam e veneram a alienação, que foram paridos por ela e não conseguem se desvencilhar da "barra-da-saia" desta "mãe desnaturada". Do mau do capitalismo. Meu repúdio aos consumistas inveterados, aos play boys e burgueses, aos pobres de espírito. Aos que consomem a cultura lixo das rádios, jornais e revistas de fofocas que não ajudam em nada. Pois quem consome a burrice a alimenta e é cúmplice de toda essa impunidade.
Despejarei aqui todo o meu ódio sobre a mídia, aos maus políticos que muitos de nós somos a cada dia, à apatia social.
Deixo o meu repúdio não só aos donos da mídia, mas à todos aqueles que se vendem à ela, que a servem, que não enxergam que precisam lutar pelos seus direitos em busca de uma sociedade mais justa.
Trabalhei no jornal A Tribuna de Vitória, no Espírito Santo e posso, com base em minha vivência de determinados fatos deixar aqui a minha opinião.
Será preciso contudo, escrever inúmeras páginas à respeito começarei pelo mais “quente”, a exploração da violência por parte da mídia.
O mundo está violento, está uma merda, as pessoas se matando a todo tempo, em 45 dias de operação da polícia militar, no Rio cerca de 45 pessoas já foram mortas, dentre elas crianças, jovens e pessoas inocentes. Até quando???????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Deixo aqui o meu repúdio a todos aqueles que por desconhecerem a realidade dessas localidades, acreditam que a polícia está fazendo um belo papel e não entendem a raiz do problema.
As tropas brasileiras invadiram o Haiti há três anos e estão fazendo o mesmo que a polícia militar nos morros do Rio e poucos sabem os verdadeiros motivos a que vendemos nossos alienados soldados.
O que nós estamos falando a esse respeito? O que a mídia está dizendo? Não estamos conseguindo mudar nada!!
A mídia não cumpre o seu papel, pois a mídia, assim como os comandantes da PM, do exército e das elites defendem apenas os interesses da minoria, que se acha privilegiada, mas que já sente as ameaças do sistema exploratório que está levando à miséria e ao desespero grande parte da população nacional.
De que lado nós estamos?????????????
Vocês repórteres e fotojornalistas, de que lado estão?
Quando ao fotografarem um morto, a sua foto não sai, pois são tantos os mortos, que já não vendem mais jornais? Mas tem sempre lugar para uma loira burra nas capas (e isto em especial para o jornal A Tribuna do ES). Cadê a família desses mortos? Cadê a voz desse povo que não se houve na mídia?
Precisamos sim, ouvir inúmeras vezes qual é a verdadeira raiz do problema até que paremos e pensemos juntos maneiras de resolvê-lo.
Só ouvimos as vozes da polícia, dos generais e das “autoridades”.
SOU DO POVO! QUERO OUVIR A NOSSA VOZ NOS JORNAIS, REVISTAS, CANAIS DE TV, RÁDIOS.
Quero ter um espaço para declarar o meu repúdio às operações genocidas e convocar meus semelhantes para tomarmos providências contra isso pois isso não pode continuar assim.
O espaço da internet é pouco, quero as rádios, as praças, os palanques, para gritar a todos que saiam dos shoping centers, parem de pensar um pouco em si mesmos e olhem para o que está acontecendo à volta, para mudar.
Estarei colocando em meu blog uma série de críticas à mídia, e aos meus colegas repórteres, colocando algumas das experiências que vivenciei quando fotografava para o jornal e denunciando o que deve ser feito, mas não é. Denunciando a mídia que assim como a justiça nacional, abraça a impunidade neste país.
A maior parte dos repórteres não são vítimas são cúmplices, carrascos e algozes. Em sua maioria perdem a sensibilidade e a o amor próprio. Se vendem e se alienam, são como os PMs e soldados. Executam e são treinados pelas universidades brasileiras a não mudar nada, sem bases sociológicas e éticas. Sem porra nenhuma! Tecnicismo não muda nada para melhor.