quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Dormi até umas 10h30 hoje, aproveitando que era feriado. Muito bom poder dormir até um pouco mais tarde, afinal, todos os dias a gente tem essa rotina de levantar cedo e ir trabalhar. Então, domingos e feriados são dias propícios para fazer isso. Mesmo quando não trabalho no sábado, não curto muito ficar na cama até tarde. Gosto de aproveitar o sábado, caminhar, ver amigos, ir na locadora pegar um filme, dar um pulinho ali na banca do Gecênio e jogar papo fora com ele, que me conhece desde que eu era um guri, que comprava colecionava revistas em quadrinhos. Aliás, muitas vezes essas mesmas revistas que eu comprova, acabava emprestando ou trocando com o Cassal, o Sidi, o Chico, o Dionei, o PC ou outros amigos. Hoje em dia, são poucos os que ainda mantém o hábito de comprar quadrinhos. Eu mesmo não tenho comprado porque pouca coisa boa tem saído. O PC como viaja muito para Santa Maria acaba encontrando muita coisa boa lá na banca do Jesus. (que, aliás, é um explorador...). Por que enveredei por esse assunto dos quadrinhos, mesmo? Ah, sim, tinha comentado sobre o Gecênio...

Voltando ao assunto do Gecênio lembrei de uma coisa. Ele não aperta a mão de ninguém, pois diz que a mão é suja e transmite muitas doenças. Sempre teve essa cisma e depois que leu na coluna do Paulo Sant'ana que ele também considera o mesmo, agora é que ele não estende a mão para ninguém. Dito isso, agora devo confessar que uma das minhas diversões ao chegar lá no Gecênio é estender a mão para ele, aguardando o aperto só para ver a cara de desprezo do meu amigo. É o que acontece quase sempre. Mas às vezes, desapercebido, ele aperta a minha mão e, óbvio, eu não largo e fico comemorando a conquista. Até chamo a esposa dele, a dona Maria Helena para presenciar o ocorrido. Ela dá muita risada e tira um sarro do marido, pois sabe que ele é meio maniático mesmo. Outro dia cheguei lá e o Gecênio estava distraído com o professor Noé Machado e apertou a minha mão. O Noé, que é cliente de muitos anos dele também sabia dessa sua frescura. "Eu não acredito que tu conseguiu apertar a mão desse vivente". Ehehehe. O Gecênio fica puto comigo e, não raras vezes, se desloca para ir lavar a mão.

Incrível como eu consigo fugir dos assuntos que inicio. Comecei esse post contando que tinha acordado às 10h30. Fui para o banho e em seguida saí com o Chico, que tinha batido à porta. Demos uma volta para conseguir um equipamento que ele precisava e marcamos de ir na cachoeira à tarde. Ou seja, 15 quilômetros à pé, para ir e voltar. Por volta de duas da tarde, encontramos o seu Antônio, pai do Cristiano e iniciamos a nossa peregrinação, tendo também a companhia da Marcela. Andamos pelo mato, pelos trilhos, castigamos bastante os nossos pés, nos queimamos bastante no sol, suamos, nos machucamos, nos arranhamos e todo mundo está dolorido. Pelo caminho, o seu Antônio foi me mostrando as suas plantações. Toda a semana ele desce para o cachoeirão e, pelo caminho, vai plantando mudas de árvore frutífera, como laranjeira, bergamoteira, cerejeira, abacate etc. E fica imaginando quando chegará a época de começar a colher os frutos desse seu investimento. Exemplo de homem paciente.

Outro dia, chamei o Pedro para conversar comigo e com o Rodrigo Vontobel. Ele nos relatava a respeito da campanha política do ano passado, onde ele e sua turma de amigos fizeram campanha para a deputada federal Manuela D'ávila. O Rodrigo ficou impressionado com algumas histórias que o Pedro relatava, principalmente ligadas a organização e a lealdade dos seus amigos, durante a campanha. "Isso é amizade de vila, Rodrigo, é assim mesmo", observei para ele. Eu sei como é. Sou nascido e criado na Vila Itu, onde tenho um nicho de amizades muito forte. Um grande amigo e que não canso de dizer é o Chico, grande e leal companheiro, de uma índole fantástica, de uma perspicácia incomum. E que, não raras vezes, infuencia as minhas opiniões.


Lembrando da nossa ida à cachoeira: teve um momento em que eu estava na beira d'água e a Marcela instigou para eu pular na água fria. Só fiquei olhando, pensando se ia ou não ia. Então, ela cutucou o Chico. "Te atira aí, Chico", disse. O Chico me olhou e disse uma frase que muitas vezes dissemos um para o outro. "Se tu pular eu pulo junto". Eu olhei e dei risada. Era praticamente um lema da nossa turma. Se um vai, todos vão junto. Se um entra numa briga, todos entram também. Éramos (e ainda somos) um por todos e todos por um. Em seguida, o Chico diz "lembra aquela vez...". Claro que eu lembrei.


Certa vez, brincámos eu, o Chico, o Valber, o Rodrigo Pelincho, o Uno e o Juliano, num prédio em construção, próximo a Total. Adorávamos brincar em construções, pular na areia, se esconder, essas bobagens de piá. Do terceiro andar, o Rodrigo Pelincho olhava para o monte de areia lá embaixo. O Rodrigo sempre foi meio louco e todos sabíamos o que ele estava pensando. Ele só olhou para nós, fez uma boca torta e gritou "Qui-qui-bi-a-uh-uhhhhh". E pulou. Os outros, corremos todos para a sacada e olhamos o seu trajeto. Caiu tranquilo no monte de areia lá embaixo. Olhou para a gente e acenou com o braço, nos chamando para pular. "Venham, não dá nada". Um a um, fomos pulando. O Juliano, depois o Valber, que foi o primeiro a reclamar. "Bah, dói os pés". E, assim, ficamos por último o Chico e eu. O Chico era o mais mirradinho da turma, magrinho e dois anos mais novo. Eu estava pesando os prós e os contras. Confesso, por mais que os guris tenham se dado bem, eu analisava que a altura era considerável. E não seria difícil que eu errasse o trajeto e desse de cara num muro que tinha próximo. Imagina, pular do terceiro piso e dar de cara com um muro, não seria nada agradável. Além disso, havia a possibilidade de cair de mau jeito e se machucar para valer. Eu pensavava seriamente em não pular, mas se não o fizesse, teria recuado diante de um desafio. E o pior, um desafio que meus amigos tinham vencido. Fiquei uns instantes nessa indecisão e tinha praticamente me desligado do Chico, que me cutucou. "E aí, vamos pular?", disse. Vi que ele também estava um tanto com medo. "Chico, faz o seguinte. Eu acho que vou pular, mas não quero que tu faça isso. Se te acontecer qualquer coisa, a tua mãe vai ficar louca com a gente", expliquei para ele. "Então, vamos descer pela escada", o Chico ponderou. "Vai tu pela escada. Eu vou pular", ratifiquei. "Mas se tu pular, eu pulo", replicou. "Que saco, Chico. Tu não vai pular coisa nenhuma. Tu pode se machucar, piá. Te some lá para baixo", falei com autoridade. O Chico baixou a cabeça e saiu pela porta. Fiquei só eu naquela sacada. Nem pensei muito e saltei. Uns dois ou três segundos depois, sentia o impacto dos meus pés na areia. O Valber tinha razão, doia os pés. Em seguida, ouço um "bluft", atrás de mim. Era o Chico. "Eu disse que se tu pulasse eu ia pular junto"...

Contei esse episódio de nossa infância apenas para mostrar que nossos laços de amizade vem de muito tempo e, como diz o Chico, "um escora o outro". Minha infância foi, sem dúvida, abençoada por amizades verdadeiras. Por isso mesmo, não raras vezes o Chico me serve de guia, hoje na vida adulta, e diz "te cuida com isso ou com aquilo". E eu o ouço muito. Dia desses, conversávamos, o Chico e eu e ele disse para eu tomar cuidado com a política, com falsas amizades, com gente querendo me prejudicar e tal. Eu o ouvia atentamente. "Chico, se tu me disser para eu sair fora, eu saio, sem problemas. Não faço as coisas por vaidade e não tenho medo de recuar", falei. "Não é isso. Eu acredito em ti e sinto algo positivo em tuas decisões. Só esteja com os olhos abertos. Tem gente que trabalha pelas tuas costas", observou o Chicória. "Eu sei disso, Chico. Eu sei de tudo, faço de conta que não sei, mas eu sei e eu vejo. Esse é o jogo", disse, desdenhando o seu alerta. "Estou te falando o que eu sinto. Sempre quando eu precisei de ti, tu me ajudou e tu pode sempre contar comigo. Só o que eu te digo é para ti não confiar em quem tu não pode confiar e nem querer ajudar, quem só vai te usar. Comigo, tu sempre pode contar", disse o meu amigo. Realmente acredito que a política é uma ciência pelo bem coletivo, mas não teria o menor pudor de abandoná-la e fazer qualquer outra coisa, trabalho comunitário, o que seja. Podem até desdenhar e dar risada, não importa. O que importa é fazer o que nos deixe em paz com nosso coração, com nosso espírito.

Bom, é isso. O final de semana está chegando e tenho muita coisa para fazer antes disso. Vou colocar o meu coração em sintonia com o meu espírito, vou relaxar a mente, vou tratar de pensar nas pessoas que eu gosto e que gostam de mim. Vou buscar seguir o que eu acredito e não me importar com o resto. O Chico tem razão. Vou tratar de me recolher e só estar em consonância com o que seja positivo. As pessoas não nos conhecem, mas nos julgam. Não sabem de nossa índole, de nosso caráter. E, quando sabem, tratam de tirar proveito de alguma forma. O diacho é que eu sigo acreditando ser capaz de mudar o mundo, ser capaz de vencer esse tipo de coisa. O problema é que sou muito de querer combater fogo com fogo. Mas vou esquecer tudo isso, por enquanto. Não quero saber de nada disso. Nos próximos dias, só estarei junto dos amigos de verdade.

E, por ora, tratar de organizar junto com a Sandra Siqueira, a Mayara, o César, a Heloísa e outros amigos a I Feira da Arte Santiaguense, que ocorrerá no Ilha Bella Shopping Center nos dias 23 e 24.

Um comentário:

Ivânia Garcia Felipe disse...

Ufa... tive de ler duas vezes para acompanhar o raciocínio. Você voa em seus pensamentos. É bom, prende mais a atenção na leitura, dá aquela vontade de querer saber mais.