domingo, 30 de setembro de 2007

o abismo que nos olha...

Domingo, passado das 23h. Hoje foi um dia como qualquer outro, um domingo qualquer. Porém, creio que tenha sido um dia, de certa forma, importante. O qual me permitiu algumas reflexões acerca sobre a vida, sobre a sociedade, sobre a vida e sobre a morte. Este final de semana foi mesmo atípico. No último sábado, caminhamos durante horas pelo asfalto, pelo mato, pelos trilhos. Fomos até a cachoeira onde costumava tomar banho junto com grupos de amigos. A cachoeira me traz algumas lembranças. Quase todos que tomaram banho naquela água se foram, de alguma forma. Apenas eu fiquei. Eu e o Chico. É, acho que sempre seremos nós. Uma pessoa que gosto muito esteve doente, quis ligar para ela e não o fiz. Bebi vinho nesse findi, como diz a Camila. É bom para curtir a depressão que se avizinha, como nuvens que prenunciam um grande temporal. Que bom que esse temporal lave a minha alma e desmanche os ídolos de pés de barro, cujo aperto de mãos acaba por enlamear quem as toque. Não queira interpretar o que escrevo. Não perca tempo. Literatura descartável. Palavras ao vento. Besteiras, cartas-testamento virtuais. Disse Andy Warhol que, no futuro, cada um teria os seus quinze minutos de fama. Abdico dos meus. Não busco fama, busco igualdade. Mas, diga onde conseguí-la, num mundo tão desigual. Depois que o trem está descarrilado, como colocá-lo de volta nos trilhos? Poeira cósmica é o que sou e que somos todos. De que adianta julgar, de que adianta condenar, de que adianta não seguir o mesmo caminho? Somos todos julgados juntos. A humanidade já se foi. Sim, foi julgada no final da década de 50 e esses tempos em que vivemos são apenas os últimos segundos do relógio fatal. Terminou para os atlantes, terminará também para os humanos. "Quando você olha para o abismo, o abismo olha para você", disse Niestzche. E o abismo nos encara há muito tempo. Estou decepcionado com uma série de coisas e sinto-me prejudicado por uma série de coisas. Texto sem nexo, blog imbecil. De que vale a pena trabalhar e acreditar num ideal, se os ideais hoje são moeda de troca? Bem disse Galadriel que "o coração dos homens se corrompe muito facilmente". Sou apenas mais um idiota que pensa que o mundo pode ser mudado e que "acredita nas flores, vencendo os canhões". Sim, eu sei que os cortadores de pedra usam de seus poderes ocultos para atingir algumas pessoas. Eu os conheço e sei que são inimigos em seus 33 graus, principalmente de quem não aceita seus cabrestos. Não consegui assistir aos capítulos da terceira temporada de Lost. Pelo menos, não ainda, enquanto Heroes está tão forte na minha cabeça. "Diga-me com quem andas e te direi quem tu és", frase que cabe uma reflexão bastante profunda. Cristo era "o cara". Quem sou e o que penso? E se penso, logo, existo? E se existo, insisto ou desisto? E será que o amor existe? Será que igualdade existe? Ou a lei do mais forte ainda não tenha sido revogada, assim como a lei da clava? E será que Deus existe? "Não tentarás o senhor teu Deus", sim, eu sei. Mas e o amor? Apenas uma ilusão para o a seleção natural e, posteriormente, o acasalamento com intuito de preservação da espécie. É isso? No fundo, apenas animais vestindo smokings? Disfarçando nossos instintos, usando de talheres para comer algo que comíamos usando as mãos? Tira-se um animal do meio da selva, mas tira-se a selva de dentro do animal? É o que somos? Ainda é a lei do mais forte? Vale a pena criticar algo ou alguém? Para quê? De que serve? O que se procura construir? O que se quer mostrar? Ocorre que algo mudou dentro de mim, ouço um clique interno e algo se ativou ou reativou. Não sei. "Eu só sei que nada sei", diria Platão. "E quem sabe, não fala e não diz", disse Raul Seixas. Não sei se continuo a escrever nesse blog, ou não sei se sigo essa linha. "Meus heróis morreram de overdose e meus inimigos estão no poder". Mas quem foram meus heróis e quem são meus inimigos? Aqueles que estão longe os que estão próximos. Pensava que compreendia o mundo, mas não compreendo. Não se pode confiar no ser humano. Por um pedaço de antílope, leva-se uma paulada na cabeça ou nas costas. "O demônio existe, mas faz de tudo para parecer que não", disse Paulo Coelho. Hoje caminhei pela praça. Geralmente, levo apenas um minuto para atravessá-la. Se me perguntassem, o que eu teria visto, diria: nada. Mas hoje cruzei a praça. Demorei quase meia hora. Se me perguntaram o que vi diria: vida, passarinhos, árvores anciãs, outras mais novas, galhos, sombra, formiga, banco, calçada, monumentos etc. Muita coisa. E cada vez que eu que olhar, algo se descobre, algo se desdobra. Algo dessa, ou de outra dimensão. Em pedaços, sinto-me em pedaços. Sinto que parti. Em pedaços.

Um comentário:

tainã disse...

"Me fiz em mil pedaços pra você juntar..."