terça-feira, 11 de setembro de 2007

Fazem dois anos que eu trabalho para a Câmara de Vereadores de Santiago. O trabalho lá é algo constante. E, para a satisfação da comunidade, existe uma competente equipe de funcionários que fazem o dia-a-dia do Poder Legislativo. As atribuições de cada um são várias, para poder atender ao expediente administrativo ou legislativo. Quando findar minhas atividades, levarei uma experiência profunda e gratificamente que me acompanhará pelo resto de minha existência. Sem dúvida, exercer o cargo que exerço na Câmara foi como fazer uma faculdade de administração na prática. Sinto-me lisongeado e privilegiado por estar vivenciando essa oportunidade e sou extremamento grata por ela. Sempre me dediquei de corpo e alma em todos os trabalhos que desempenhei e isso trago há muito tempo, desde quando era criança e vendia picóle ou sanduíche. Aliás, quem diria, não é? Um vendedor de picolé chegar à chefia de gabinete da Presidência da Câmara de Vereadores. Todas as decisões administrativas dos últimos dois anos à frente da Câmara tiveram a minha interferência e entre erros e acertos, graças ao meu bom Deus, tivemos muito mais acertos. É algo que não pensava para mim. Mas, graças a Deus, foi uma oportunidade que me sorriu e que valorizo com muito orgulho. Como todos sabem, faço parte dos colunistas do jornal Expresso Ilustrado, algo que prezo muito. No entanto, as pessoas acabam confundindo algumas coisas. Acho que estão tão acostumadas em verem a minha foto nas páginas do jornal, que acham que sou alguém influente dentro da diretoria do jornal. Não o sou. Comecei a trabalhar para o Expresso em 1999, por indicação de meu grande amigo Sidnei Garcia. Ná época, tinha 19 anos. Minha função no jornal, era de auxiliar na diagramação. Nesse ponto, devo dizer que aprendi a fazer isso com o Sidi, que me deu o treinamento nas suas horas de folga. Mas entrar para o Expresso era uma meta antiga que eu tinha, desde os primórios do jornal. Sempre gostei de escrever, desde criança e, logo que o jornal se instalou por aqui, aquilo me instigou a possibilidade de realizar um de meus sonhos infantis de trabalhar num jornal (como os heróis que eu gostava: O Homem-Aranha e o Superman, respectivamente Peter o fotógrafo Parker e o repórter Clark Kent, suas identidades "secretas). Lá pelos idos de 1997, fui convidado pelo meu amigo Marcos Fiorenza para fazer algumas reportagens para o jornalzinho Espaço Popular, que ele tinha inventado de fazer. Eu participei de algumas edições, além de publicar algumas coisas no Letras Santiaguenses. Foi quando abriu uma seleção de repórteres para o Expresso. Então, com 17 anos, eu pensava: "eu escrevo bem. Pelo menos, melhor que esse Araponga aí", pensei. E levei um currículo para o Expresso. Isso, em 1997. Acho que foi mais ou menos nessa época também que o Júlio Prates lançou o seu Jornal A Hora, cujas reportagens e artigos extremamente inteligentes chamaram a minha atenção. No Expresso, conversei com o João Lemes, mas cheguei um pouco atrasado. Eles já tinham formado uma equipe, estavam testando algumas pessoas e desejou sorte para outra oportunidade. Tudo bem, não foi daquela vez. Pelo menos, deixei um currículo lá, com alguns escritos que tinha feito. Pensei em procurar o Júlio Prates, em 1997, e me oferecer para trabalhar para o jornal dele. Mas aí, tornei a ler as páginas do "A Hora" e me vi pequeno diante da grandiosidade daqueles artigos tão bem construídos. Eu não era capaz de escrever com tamanha desenvoltura. E, assim, se passaram dois anos. Em 1999, eis que o Sidi me observou de uma vaga que abriria para diagramador e se dispôs a me ensinar o ofício. E assim aconteceu. Tornei-me um dos diagramadores do jornal, ao lado do Mário, do Sidi e, mais tarde, do Antônio. A responsável pelas reportagens era a Cristiane Salbego, quande amiga. Mas, como eu tinha recém entrado para a equipe, queria aprender. E me oferecia e me dispunha a servir à firma para a qual eu estava trabalhando. "Se precisar de faça alguma foto, ou que escreva alguma coisa, estou à disposição", eu dizia para os chefes. E, assim, acabei conquistando um espaço. Com o passar do tempo, conquistei também a confiança da Sandra, do João e da Suzana. Confiança essa que mantenho até hoje. Discutimos algumas vezes e divergimos de opiniões muitas outras, mas no final impera o respeito e a amizade. No Expresso tive a oportunidade de crescer profissionalmente e de me aperfeiçoar na escrita, na diagramação e também na fotografia. Aliás, creio que fui o responsável pela mudança na linha editorial de fotografia do jornal. Passei a criar imagens tal qual os fotógrafos da Zero Hora e Veja faziam. Buscava me inspirar nos grandes. Em seguida, passei a ter uma coluna de opiniões, principalmente críticas, nas páginas do jornal. Ajudei a criar diversos espaços e posso dizer que sou o criador do "X da Questão", porque achava que o jornal deveria ter um espaço para entrevistas. A idéia inicial era que fosse de entrevistas similar ao das Páginas Amarelas, da revista Veja. Aquela história de "Clone", fui eu que iniciei, "bem na foto, mal na foto", "Musa da Piscina" e um monte de outras coisas (assim como ajudei a transformar a locadora de minha ex-namorada, a Videoclube, no que ela é hoje, uma das melhores de Santiago). Dei idéia para dezenas de charges, produzi centenas de reportagens, fiz muita coisa. Certa vez, o João Lemes me disse que eu era um profissional para estar numa Prefeitura, numa Câmara de Vereadores, num grande jornal. Talvez tenha sido um dos maiores elogios que ele tenha me dado. Pois bem. Trabalhar para um grande jornal era um sonho que eu tinha quando pequeno e esse eu realizei. Porém, um outro ideal que sempre tive também, desde adolescente, era entrar para a política. Era ter a oportunidade de fazer algo pelo meu semelhante. Era poder ter a oportunidade de trabalhar pela coletividade e ver a minha cidade ter a melhor qualidade de vida do Estado. No entanto, durante muito tempo, reprimi a minha vontade de querer entrar para a política por causa de uma namorada que tive, a Lidiane, que sempre teve preconceitos com relação a política, que considerava um mundo sujo, de artimanhas e de pouca utilidade. Bem, quando a Lidiane e eu terminamos o nosso namoro, posso dizer que foi uma fase extremamente difícil em minha vida, pensei que seria o momento de retomar aquele sonho antigo, de entrar para a política e de tentar ser útil para a sociedade. Por um tempo, me deixei influenciar pelo que a Lidiane dizia e de não querer saber de me envolver com a política. No entanto, a política está em nossa vida de todo o modo. Está no calçamento em frente a nossas casas, no esgoto, na pracinha, na iluminação, está em tudo. E ficar à parte da política é como se desligar para o mundo. E se as pessoas que têm condições de fazer algo de bom e não o fazem, acabam sendo piores do que aqueles que, simplesmente não querem fazer. Acredito que eu tenha condições de fazer algo de bom. Não por um ideal. Mas por minha natureza. Sou filho de gente pobre e sou pobre. Não dou bola para dinheiro. Não almejo isso e estou sempre quebrado, sem dinheiro no bolso. E não é dinheiro que faz o meu caráter. Não é o dinheiro que me torna melhor ou pior uma pessoa. É a natureza. É a pimenta que minha vó colocava na minha língua para eu não dizer palavrão (e como resultado, eu NUNCA falo palavrão), foram as cintadas que meu pai me deu por eu ter matado aula alguma vez (e isso me faz arcar com as minhas responsabilidades e ter essa mentalidade de que somos responsáveis por nossos atos). Bem, outro dia, alguém me disse que não gosta do Expresso, que o jornal Expresso é isso e aquilo, que não fala mais as verdades que as pessoas deveriam saber, que até gosta da minha coluna, mas que o jornal em si tinha perdido a sua essência e que o Folha Regional estava melhor. Para essa pessoa tive que dizer que o jornal é um produto e que està à venda. Que não se faz mais jornalistas ideológicos e apaixonados como antigamente. Ou, pelo menos, dificilmente esses estão nas páginas da maioria dos jornais. Hoje há quem faça um jornalismo ideológico através de blogs como o do meu amigo Júlio Prates, o da Rebeca, em função de não ter que desenvolver relações comerciais para escrever. Mas, enfim, por mais que eu tenha influenciado diversas questões estruturais dentro do Expresso, fazem dois anos que não o faço. Há dois anos, a minha dedicação principal é em função da Câmara de Vereadores. É para fazer um bom trabalho na função que eu desempenho, assim como sempre procurei fazer em tudo aquilo a que me dediquei.

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