domingo, 26 de agosto de 2007

Sobre a sessão solene

Na sexta-feira à noite, aconteceu uma sessão solene em homenagem aos 123 anos da Câmara de Vereadores de Santiago. Na oportunidade, foram entregues títulos de "Cidadania" e "Benemerência" para 11 pessoas que contribuiram com o município através de seu trabalho. Foi, sem dúvida, uma sessão emocionante e que levou muita gente às lágrimas, fosse através dos discursos enaltecendo os agraciados, fosse através do desabafo de cada um deles, a respeito do que representava aquele momento em suas vidas. Como sou um jornalista parcial (imparcialidade não existe), vou destacar aqui alguns pontos dos discursos que mais gostei.
- O médico Paulo Renato Décio da Costa foi, sem dúvida, o que mais mexeu com as emoções de um plenário lotado. Ele lembrou de quando chegou a Santiago, na década de 70. "Desci do ônibus na antiga rodoviária, que ficava em frente a praça. Atravessei a rua e sentei em cima de minha mala, pensando qual seria o meu rumo, numa cidade desconhecida para mim". Em seguida, o médico olhou para o seu Antoninho Duarte, que também estava entre os homenageados. "O senhor lembra, seu Antoninho, quando me recebeu em sua casa, sem saber quem eu era, de onde eu vinha. Me abriu as portas de sua casa. O senhor foi para mim como um segundo pai...", neste momento, Décio embargou a voz, baixou a cabeça e não conseguiu falar. Eu via a minha amiga Sandra Siqueira e outras pessoas se emocionaram com as palavras de Décio. A Aritana, sua companheira chorava, a Suzana Lemes chorava, o Nelson Abreu chorava, a Rose Bordinhão, ao meu lado, também chorava. E, claro, o seu Antoninho Duarte. Em seguida, Décio levantou a cabeça e contou de seu trabalho junto ao bairro Ana Bonato, onde atende dezenas de crianças, gratuitamente, há vários anos. "Estou recebendo esse título em função desse trabalho, que sempre fiz quietinho. Não sei como me descobriram..". O vereador Cláudio Cardoso, que indicou Décio para o título, sorriu. Sem dúvida, o médico foi o mais aplaudido da noite.

- O jornalista Edson Moiano, que é natural de São Luiz Gonzaga, disse que durante a sessão solene, ficou rememorando a juventude vivida em Santiago. Lembrou de quando estudava na escola Cristóvão Pereira, onde dividia a classe ao lado do escritor Caio Fernando Abreu. Também lembrou de uma linda professora que todos admiravam: Enadir Obregon Vielmo. "Estar em Santiago, é me ver num túnel do tempo e lembrar do jovem que fui, meus primeiros passos profissionais, meus amigos. Minha primeira e única namorada, que é a minha esposa. Esse título que estou recebendo hoje é, para mim, a minha nova certidão de nascimento. Sou Santiaguense".
- O prefeito José Francisco Gorski parabenizou a organização da sessão solene e, principalmente, ao presidente do Legislativo, Diniz Cogo. E como é ligado ao meio futebolístico, ele fez uma comparação. "Os vereadores aqui, foram bons técnicos e indicaram uma seleção de agraciados que, certamente, vai demorar algum tempo para se repetir. Todas essas pessoas engrandeceram a nossa cidade e merecem essa homenagem. Essa seleção é como do Brasil em 1970", observou Chicão.

- O deputado Marco Peixoto, representando a Assembléia Legislativa, observou que tem participado de diversas sessões solenes em várias Câmaras do Estado e também na Assembléia e fez um reconhecimento. "Esta sessão aqui, em Santiago, certamente foi a mais bem organizada e mais emocionante que estive participando nos últimos tempos".

- O vereador Marcos Roberto Fiorin Flores, o Kinho, que teve a sua foto inaugurada na galeria de ex-presidentes da Câmara fez questão de lembrar que todo o trabalho desenvolvido em sua gestão na presidência, contou com o apoio de todo o quadro funcional do Poder Legislativo. E ele citou um por um dos funcionários da Casa, destacando a sua importância. Logo que sentou na cadeira, ele olhou para a Liane, nossa colega, e observou preocupado. "Bah, me esqueci de ti". A Liane não se importou. Aplaudiu o discurso do Kinho, por ter lembrado de todos os colegas.

- O diretor do jornal Expresso Ilustrado, meu amigo João Lemes, que algumas vezes foi acusado por algum politiqueiro de ser um "forasteiro" e que, por isso, não teria legitimidade para fazer críticas, foi bastante aplaudido. Ele recebeu o título das mãos do vereador Kinho, que ressaltou a importância do trabalho de Lemes para Santiago, pois através do jornal Expresso Ilustrado emprega mais de 50 pessoas só em Santiago.

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