quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O projeto "Santiago do Boqueirão seus poetas quem são?" lançado na última quarta-feira, sem dúvida vai representar uma revolução cultural em nossa sociedade. A idéia do projeto é da professora Rosane Vontobel Rodrigues que, juntamente com sua equipe, formada pela acadêmica pesquisadora Cristieli Lanes Garcez e a professora Cíntia Toledo, formatou o projeto, que catalogou escritores surgidos nos últimos 20 anos. O projeto usa do slogan "Terra dos Poetas" e dimensiona uma mudança em vários aspectos:


Mudança cultural- A verdade é que a nossa Prefeitura deixa a desejar no aspecto cultural há muitas horas. Melhorou com a entrada do professor Noé no Departamento Cultural da SMEC. Mesmo assim, a falta de apoio por parte da Secretaria de Educação o deixa de mãos amarradas. O projeto da professora Rosane Vontobel vai além da obviedade que a Prefeitura promove em termos culturais. Cultura não é apenas teatro (e isso quem está falando é alguém que já esteve ligado a teatro), cultura não é botar dinheiro em show na praça, cultura não é dar dinheiro para festival nativista. Na verdade, cultura é isso também, mas uma parcela mínima. Cultura é muito mais que isso. A cultura vai da construção de uma consciência cultural de valorização do que é nosso E, principalmente, a cultura se constrói através de uma consciência perene, não em lampejos, em eventos vazios. Não a obviedade de um circo para flashs e fotos em jornal. O problema de não se criar um Departamento de Cultura em Santiago vai ser sempre esse: recursos limitados. É óbvio que a Educação vai sempre ser privilegiada e, em detrimento, a cultura.

Mudança no turismo- O projeto da professora Rosane Vontobel vai fazer pelo turismo tudo o que o Roger não fez por sua Secretaria em quase oito anos. O Róger é uma pessoa muito bacana e simpática, mas limitado. Tenho dúvidas de sua competência. Ele gastou mais de R$ 20 mil para construir uma igrejinha lá no meio do campo (na Forqueta), para as vacas, dizendo que aquilo iria atrair turistas ao local onde foi criada a primeira igreja em Santiago. Ninguém vai lá. Ninguém nunca vai ir para lá. Não sei que bolinha de sinamomo comeram para ter aquela idéia de construir aquela igreja no meio do mato. Sorte do Roger e do Chicão que aquilo não é visitado. Para não verem a vergonha de terem colocado dinheiro fora naquela capela que, pior, ainda foi construída no lugar errado. Nem a história do lugar consultaram. Falassem com o Humberto Gabbi Zannata (aliás, leram a matéria que ele publicou em duas páginas do Diário de Santa Maria, praticamente nos chamando de burros por ter construído aquela igreja num local errado, um erro histórico, para quem pretendia resgatar a origem do município?). Tudo bem. Botaram R$ 20 mil fora na igrejinha. Agora, eu pergunto: com quanto a secretária de Turismo auxiliou o projeto "Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são?". Nada. Zero investimento. Pelo menos, o nome da Prefeitura não aparece entre os apoiadores. E se não aparece, é porque não apoiou. Talvez, porque a verba tivesse acabado, devido as idéias descabidas que o pessoal possui.

Uma, de insistir em promover aquela rota de turismo ridícula, achando que alguém vai pagar para andar à pé no meio do mato. Gente, isso não é Espanha. Aqui, não é Santiago de Compostela. Temos que trabalhar com a nossa realidade e não ficar viajando em cima de uma idéia tirada de um livro do Paulo Coelho, no caso, "O Diário de Um Mago". Outro investimento imbecil da secretaria de Turismo: um calendáriozinho de eventos que ninguém olha, que ninguém vê. Gastam dinheiro num troço mal feito e em fôlderes que não divulgam nada. Volta e meia, imprimem folderes que só ficam em cima de mesas e que são distribuídos em Santiago. Ora, parece que querem atrair o pessoal de Santiago para visitar Santiago. É uma falta de visão galopante. E quando foram para a capital do Estado lançar a Exposantiago, reuniram 60 pessoas na sede da Farsul, onde pelo menos 40 e poucas eram de Santiago. Isso é incrível.


Mudança no comércio- Eu não queria ficar dando pau no Roger, mas como a sua secretaria de Turismo absorve também indústria e comércio, sobrou para ele. O projeto "Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são?", vai mexer com o nosso comércio, implementando produtos com a marca dos poetas e escritores. Vai virar marca e mania. Vai lançar postais, camisetas, chaveiros, canetas, além de produtos na área da gastronomia que já podem ser encontrados nas padarias Pãos e Grãos e Fronteira e na Sorveteria Cascão. Produtos como a Torta Lise Fank, a torta Barbela, o sonho Ayda Bochi Brum, o sanduíche Juliano Saldanha. Putz, cara. São iniciativas como essa que Santiago precisa. Novidades. Coisa diferente, que gere comentário. Não aquela malfadada igreja. Não aquela fracassada rota. Aliás, outros fracassos desta secretaria, só para citar, foram a Braspelco e Ambev, entre outros. Tem uma coleção. Eu, se fosse o Roger, iria transferir a minha Secretaria lá para a igrejinha. Não vai ninguém mesmo...

Aliás, se eu fosse o prefeito chamava a Rosane Vontobel para ser secretária de Educação e a Cristieli Garcez para ser secretária de Turismo. São pessoas abnegadas e pensantes. São jovens em idealismo e em idade. E é isso que Santiago precisa: de pessoas pensantes, que sejam visionárias. Que pensam no futuro e na coletividade.

Vou falar outra coisa agora. No dia do lançamento do projeto, na URI, não avistei o prefeito, nem os seus secretários. Sorte deles que estava cheio de gente lá, centenas de pessoas. Assim, fica mais difícil perceber a falta de interesse dos nossos representantes maiores num evento dessa envergadura. Que vergonha, prefeito. Como você não participou deste evento?? Quanto teria a ouvir, a colaborar. Pelamordedeus. Você exerce uma função pública. E essa função pública é para estar à serviço do município. Perdeu uma grande oportunidade. Felizmente, lá estavam alguns representantes políticos como o vereador Miguel Bianchini, a quem admiro pelo interesse às causas coletivas; o vereador Diniz Cogo, que é presidente da Câmara; o vereador Renato Cadó, presidente do PMDB; o vereador Nelson Abreu.

Olha só: lá estavam escritores santiaguenses como o Froilam Oliveira, o Zélir Madalosso, o Márcio Weiller, a Lígia Rosso, a Lise Fank, entre outros. Empresas como a Tusi Tecidos, a Tamiosso Matriz, a Becker, a Anahy Turismo e muitas outras. Essas pessoas e empresas se dispuseram a participar do projeto e ajudar a desenvolver essa idéia. Como pode o prefeito de minha cidade não participar? Espero, prefeito, que corrija tal falha, oferecendo todo o suporte que a prefeitura possa dar. Você sabe que eu te admiro, gosto de você como pessoa, sei do grande ser humano que és e não estou falando mal de você, estou fazendo uma crítica e essa crítica é, sim, construtiva. É pelo bem de todos. Um projeto dessa natureza é muito maior que você. É muito maior que eu. É Santiago. Será que uma idéia que não foi lançada pelo PP, não merece ser apoiada? Ou é porque ela não teve a benção do Valdir? Ou, talvez, porque ela não vá atrair benefício individuais e, sim, para a coletividade. Mas o maior benefício será na construção de uma sociedade mais pensante, mais reflexiva e mais crítica. Uma sociedade que compreenda que a política é um instrumento necessário para uma mudança global, que a verdadeira política é a de ser uma ciência do bem de todos e não de uma oligarquia.
Pois bem. Tendo ou não a bênção de cacique, essa idéia vai acontecer e ela conta com o apoio de um exército de pessoas. E eu sou soldado nessa batalha que objetiva, sim, uma mudança cultural. Será a caneta contra a espada. A inteligência contra a ignorância. E a batalha já começou...

Um comentário:

João Lemes disse...

A crítica é procedente, mas é preciso coerência e, acima de tudo, observância, amigo Márcio. O projeto é superbom, mas não esqueça que tu estás no meio dele, portanto, defasa-se aí parte de tua crítica. Por outro lado, cabe lembrar que a secretária de Educação lá estava em nome do prefeito Chicão. Quanto ao Roger, ele é gente fina, mas tu está coberto de razão. Ele botou fora os 20 pilas da igreja pras vacas. Agora, lembro-te outra: vá com calma e não comece a vomitar críticas assim, só porque estás num partido político, envolvido com o vírus e enfluenciado pelos companheiros. Nâo seja igual a todos.