domingo, 26 de agosto de 2007

Ernesto Alves: "um paraíso ecológico desconhecido"


Outro dia, falei em turismo, tecendo algumas críticas ao modo como essa área é desenvolvida pela prefeitura de Santiago. Nesse aspecto, cabe ressaltar que tudo o que eu falei foi num sentido de crítica construtiva. Tenho por mim aquele raciocínio de que "devemos brigar nas idéias, não nas pessoalidades" e tudo deve obedecer um sentido de somar, de construir. Enfim, até me questionaram via e-mail o que eu faria pelo Turismo em Santiago, caso tivesse de dar algum direcionamento.

Primeira coisa: acredito que o fato de termos uma secretaria de Turismo, Indústria e Comércio é um equívoco administrativo, por alguns paradoxos. A função de um secretário de Turismo seria de, principalmente, viajar e divulgar o nome de nossa cidade, participar de feiras e eventos pelo Rio Grande do Sul afora divulgando as nossas potencialidades, buscar verbas federais para essa área, enfim, estar sempre em contato com os representantes políticos e, principalmente, viajar mesmo, trazendo resultados efetivos. Agora, a outra responsabilidade, como secretário de Comércio e Indústria, requer que a figura do secretário seja mais presente no município, organizando feiras, visitando empresas, conversando com empresários, estar em contato com a Câmara de Vereadores, buscar construir junto aos legisladores propostas que beneficiem o comércio local.

Ou seja, valorizar aquilo que temos aqui, em nossa cidade, os nosso empreendedores. Fomentar benefícios para que eles possam prosperar e, consequentemente, possam empregar mais pessoas. E, claro, na medida do possível viajar e buscar subsídios para desenvolver Santiago. Essa história de ficar esperando que alguma indústria venha para cá é utopia. Santa Maria quer indústrias, Pelotas quer indústrias, Caxias do Sul quer indústrias, Uruguaiana quer indústrias. Ou seja, não adianta ficar disputando com outros municípios maiores. A gente tem que fortalecer aqui, o que temos. Até porque nossa cidade não tem característica industrial e isso está mais do que provado. Então, a princípio, o melhor seria desvincular: Indústria e Comércio tinha de ser uma secretária em separado do Turismo, que poderia vincular a Cultura e o Esporte. Seria o mais sensato a fazer, para dar maior mobilidade.

Nesse ponto, quero fazer uma observação com relação ao turismo. Outro dia, estava conversando com o prefeito Chicão, que é uma pessoa que admiro e gosto, e lembrei a ele de uma sugestão que eu tinha dado, ainda na época da campanha de reeleição dele. Observei a respeito do turismo em Ernesto Alves. Eu disse que o turismo naquele distrito não vai se desenvolver do jeito que está e muito menos os pequenos empreendedores vão conseguir obter benefícios com essa proposta de turismo sazonal que temos. Ernesto Alves é, como dizia Caio Fernando Abreu, "Um paraíso ecológico felizmente desconhecido". Não adianta querer fazer de lá um recanto de visitas somente no verão. Tem que criar alternativas que desenvolvam Ernesto Alves durante o ano inteiro. Então, fiz as seguintes observações:

- Ernesto Alves tem o balneário, mas isso atrai gente só no verão, então, tem que criar outros atrativos para o ano inteiro.

- Você já observou o céu em Ernesto Alves à noite? É lindo. Dá para ver as constelações nitidamente. Sugeri que se estruturasse um observatório, tipo o planetário de Santa Maria, em nossa distrito turístico e fizesse algum tipo de convênio com a URi. Que fossem colocados telescópio, fotos, pesquisas e outros atrativos relacionados a astronomia em Ernesto Alves. Que se divulgasse que temos aí o melhor ponto de observação de astros, planetas e estrelas, já que o distrito é circundado por morros e estes impedem a luminosidade da cidade, proporcionando uma visão singular do firmamento. Até exemplifiquei o Museu de Ufologia que existe em Itaara, que recebe muitos visitantes.

- Que se pensasse em estruturar um museu do imigrante, com fotos e objetos antigos, contando a história não só de Ernesto Alves, mas de outros distritos e, principalmente, da própria evolução de Santiago.

- Que pensassem em fazer uma proposta lá para o seu Cassol e se levasse o zoológico de aves para aquele distrito. Que ele ficasse bem estruturado e confortável para as diversas espécies lá existentes. O que ocorre é que o mini-zoológico do seu Cassol é um atrativo e recebe excursões e visitas de escolas de Santiago e da região. Porém, se esse zoológico estivesse ali, em Ernesto Alves, esse pessoal que não investe em nada quando vai ao seu Cassol, vai estar num distrito distante da cidade. Aí, o que ocorre: vão comprar lanche, refrigerante, lembranças, etc. É isso que fomenta o desenvolvimento turístico. Aí, sim, iria beneficiar os pequenos empreendedores do distrito.

- Sugeri outras coisas lá também de se instalar um teleférico e tal e abrir concorrência para empresas que explorem o equipamento. Mas para isso ser possível só quando Ernesto Alves começar a receber um bom fluxo de visitantes. 

2 comentários:

JULIO PRATES disse...

Brilhante Márcio. Sua visão de turismo é irretocável e seu texto é perfeito, com raciocínio lógico,concatenações e com o devido casamento da línguistica com a questão política. Se eu fosse o Chicão, vc estaria no meu governo, no primeiro escalão, como secretário municipal de cultura ou de turismo. ABS

Eliziane Mello disse...

Olá Márcio:
Achei essa tua postagem magnífica. Sempre pensei o mesmo, a região de Ernesto Alves é linda e poderia ser melhor estruturada para melhor receber seus visitantes...Inclusive na Conferência das Cidades, a qual participei, tive muita vontade de sugerir algo nessa linha, ou seja, que se investisse mais na área turística. depois, pensei melhor e acabei desistindo, por que vira e mexe, e decidem sempre pelas mesmas coisas...É claro que minha visão não chega a tanto (teleférico), pois seria muito caro para os padrões santiguenses, mas equipamentos esportivos mais em conta, seriam interessantes de serem lá instalados. Certamente, seria um diferencial. Só espero que façam isso aqui em Santiago antes do prefeito Ivo decidir fazer lá em Jaguari, afinal, a paisagem é muito parecida em ambas as cidades...
Bjs.
Lizi