sábado, 18 de agosto de 2007

Certa vez, uma amiga disse o seguinte: "não sei que mania as pessoas tem de ficar com medo de quem tem mais dinheiro. De respeitarem mais quem tem sobrenome conhecido. De se dobrarem para quem tem influência". Ouvi atentamente as suas palavras, concordei e complementei. "Imagine que eu tenho mais dinheiro que você. Vivo uma vida de regalias. E você, uma vida de dificuldades. O que eu quero, tenho só estalando os dedos. O que você quer, não adianta querer: tem de correr atrás, dar duro por meses, anos, até conseguir. Eu sou rico e você é pobre. Eu sou admirado e você é apenas um rosto anônimo na multidão.."
Minha amiga acompanha o meu raciocínio.

"Agora, Cláudia, imagine o seguinte. Eu e você, por um ato do destino vamos parar numa ilha deserta. Não importa como. Estamos lá, você e eu. Vamos ter de lutar para sobreviver do mesmo jeito. Estamos lá, desprovidos de qualquer coisa e, simplesmente, desaparece a ilusão da condição social. somos iguais. Sentimos fome do mesmo jeito, temos as mesmas necessidades. Nos ferimos e sangramos, sentimos frio, calor, raiva, dor, tristeza, saudade, afinal, os sentimentos são universais e somos todos iguais"...

Isso foi uma conversa que eu tive com uma amiga há cerca de uns oito anos, logo que comecei a trabalhar para o jornal Expresso Ilustrado. Eu tinha essa idéia naquela época e continuo tendo a mesma idéia agora. Não desviei um só milímetro do que eu penso. A verdade é que, com o passar do tempo, só fiz reafirmar e sentir como verdade esse sentimento. Somos todos iguais em sentimentos. A tal da condição social é uma ilusão. Apenas os tolos acreditam que o mundo pode ser separado em "elite" e "plebe". As pessoas merecem ser respeitadas por aquilo que são, não pelo que tem. Conheço pessoas ricas, com espírito nobre e outras com espírito pobre. E também pessoas pobres com espírito esnobe e outras, de grande riqueza espiritual. Engraçado que há quem se mate para vencer no mundo materialista, ter coisas, conquistar coisas e se esquecem que tudo isso é passageiro. E, assim, passa pela vida, sem aprender o que deveríamos ter aprendido e sem "amar ao próximo como a si mesmo".

Há poucos dias, estive participando do programa "A Brigada e a Comunidade", apresentado pelo meu amigo Cassal e pelo tenente Bittencourt, que me perguntou como estava meu orgulho pelo Brasil ter ficado em terceiro lugar nos jogos Pan Americanos. Minha resposta:
"Compreendo que o esporte é algo importante, sem dúvida. Importante apoiar os nossos atletas e tudo o mais. Mas, é um orgulho besta achar que somos um país melhor por causa de algumas medalhas de ouro. Assim como é um orgulho besta, uma ilusão achar que porque somos Pentacampeões no futebol, somos um país melhor. O Brasil é pentacampeão no futebol? Mas também é pentacampeão em miserabilidade, em desigualdade social, em exploração, em tanta coisa ruim. É isso que temos que mudar..."

O intuito da entrevista era também para falar de meus contos e crônicas que, aliás, foram reunidos aí pelo projeto "Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são?". Um projeto maravilhoso desenvolvido pela professora Rosane Vontobel Rodrigues, mãe de meu amigo Rodrigo Vontobel Rodrigues, uma das pessoas que mais tive a satisfação de me tornar amigo nos últimos tempos, uma pessoa idealista, de grande valor, profissionalismo e caráter. Pois bem, sou um dos autores catalogados no projeto. Recebi um e-mail onde dizem que defendo o projeto só porque participo dele (e sou grato por isso). É um bom argumento, uma opinião que respeito. Mas é, sem dúvida, uma forma limitada de pensar. Defendo toda e qualquer idéia que seja para o bem. E acredito que a arte, uma idéia boa, ela é de todos, ela é universal e não tem proprietário.
E não importa de quem ela seja, basta que seja boa. Muito melhor defender uma idéia, do que defender uma pessoa. Idéias são perenes e são inspiradoras. Idéias podem mudar o mundo. Pessoas podem ser corruptíveis, podem ser volúveis. Enquanto nos mantivermos firmes numa ideologia, ela pode ser capaz de nos conduzir por um caminho correto. No momento, em nos envaidecemos, fica fácil desviar do caminho.

Certa vez alguém disse: "Márcio Brasil, o melhor cronista de Santiago". Aliás, são várias as pessoas que me enviam e-mails, scrapps no orkut ou que me falam que gostaram de algo que eu escrevi. Sem dúvida, ouço tais elogios aos meus escritos com satisfação. Mas não deixo que isso alimente uma vaidade. Da mesma forma, não deixo que as críticas possam me derrubar ou me envenar. Elas são importantes para nos ajudar a enxergar um outro lado, para que possamos nos construir e fortalecer. A crítica pode nos ajudar ou pode nos destruir. Sim, pois se recebemos uma crítica e resolvemos rebater de forma raivótica, estamos nos deixando levar por um sentimento de ira. E, a partir daí, nada do que vem do ego pode ser proveitoso...

Na tal entrevista na rádio, onde me pergunataram sobre o PAn: da mesma forma que eu disse que ser pentacampeão no futebol ou bronze no "PAN" não é motivo de orgulho, digo que, para mim, não é motivo de orgulho que alguém me diga que sou "o bom", ou "o melhor" nisso ou naquilo. Não é isso que me interessa. Não é esse o meu objetivo. Se escrevo, é para contar uma história, passar algo que estou sentindo, repartir algum ensinamento, tocar alguém com aquelas palavras que escrevo. Da mesma forma que recebo um elogio, recebo uma crítica: procuro ter equilíbrio. Não sei se consigo muitas vezes, pois sou humano. Todos somos humanos e passíveis de erro e os sentimentos são universais. Mas compreendo que ao escrever, minha intenção não é receber méritos. Isso é pura ilusão. Só os ególatras se deixam levar por essas vaidades tolas.

Às vezes me dizem: "aquilo que você escreveu me emocionou, me fez refletir. Como você tem essas idéias?". Não sei. Saem de meu coração. Procuro sempre ouvir o meu coração e penso que, na maioria das vezes, o que escrevo é o que me foi confiado a passar. Certa vez, li que existem seres divinos, anjos talvez, que tem a missão de inspirar aos humanos. E, assim, esses anjos estão por aí tocando pintores, músicos, escritores. E é através do toque desses seres, que Beethoven compos "A 9° Sinfonia", que Boticelli pintou a "O Nascimento da Vênus", que Einstein descobriu a teoria da relatividade, que Shakespeare escreveu "Romeu e Julieta", que John Lennon gravou "Imagine". Creio que tudo aquilo que tem êssencia, que é puro, que ao ser absorvido por alguém em forma de arte ou escrita e que gere algum sentimento nobre esteja além da capacidade de nossas mentes humanas. É preciso entrar em sintonia com forças além de nossa compreensão. Energias que compõe o cosmos e, na verdade, somos feitos da mesma matéria na qual se constituem as estrelas. Um dia, os àtomos que compõe nosso corpo físico fizeram parte d'alguma estrela. Um dia, podem voltar a ser. Pois a existência é assim, um tempo para tudo: sóis, estrelas, átomos, homens e animais. E o relógio passa e só nos preocupamos com a pulseira, não com o tempo que nos é dado para fazer algo. E não importa quanto tempo se têm, mas como se usa o tempo que nos é dado. Nunca é tarde. O hoje pode ser o sempre. O amanhã pode ser nunca.

Acredito que tudo neste universo está interligado. Que tudo possui um significado, que nada acontece por acaso, que temos um destino, mas que também podemos ser senhores do destino, que somos capazes de ser deuses, mas preferimos ser insignificantes. E, ao abordar isso, quero dizer que ser insignificante é exatamente achar que por termos uma faculdade que nos foi confiada, somos melhores que alguém que não a tenha, ou termos uma condição social privilegiada, isso nos dê o direito de nos isolar do mundo, de exigirmos respeito ou tratamento especial, de exigirmos "realeza". A verdade é que tudo isso é uma grande ilusão. Ou eu é que estou grandemente enganado. Mas acredito que se temos uma faculdade, talento ou situação privilegiada, aumenta em muito a nossa responsabilidade de ajudar ao próximo.

Não acredito que alguém deva ser respeitado por causa de seu sobrenome ou porque é mais especial. Todos somos especiais. E na verdade, isso é uma forma diferente de dizermos que somos todos comuns, ou seja, iguais. As pessoas devem, sim, ser respeitadas por seus sentimentos e pelo que fazem pelo seu semelhante, pela vida, pelo seu Planeta, pela sua sociedade, enfim, pela Paz. Parece algo piegas falar disso, dessa forma, mas a verdade é que não existe outra razão para estarmos aqui a não ser procurar fazer desse mundo um lugar melhor. E isso só vai acontecer se nos tornarmos pessoas melhores. Não naquilo que temos, mas naquilo que somos. E aquilo que somos "é invisível aos olhos".

"...Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"...

2 comentários:

Eliziane Mello disse...

Oi Márcio, gostei das tuas reflexões, são a mais pura das verdades...bjs...
há, é vc o responsável pela relação dos blogs santiaguenses? me coloca mais em cima?? estou tão lá embaixo, por favorrrrrrr. agora sim..bjs. lizi

carla granja disse...

olá amigo Márcio! já vi k acabei por ser fã numero um do teu blog e do da vivian k tão querida amiga e apoio me têm dado. gosto muito de cvocês os 2 e de tudo o k escrevem. PARABÉNS! Eu tmb penso assim e para mim rico ou pobre tanto faz somos todos iguais e o k conta são mesmo os sentimentos,o interior da pessoa e não a sua conta bancaria. eu tanto posso ter como amigo um advogado como um peixeiro o k conta é o k a alma dessa pessoa me transmite e não o dinheiro k ela tenha. tu acreditas k eu soutão desligada de tudo k eu tenho terrenos a norte de portugal k foram deixados de herança para mim e meus irmãos e eu não sei o k é meu? meus pais k têm muitas casas e mais coisas,mas eu olho em minha volta e só vejo o meu quarto,meu computador,não me falta nada é verdade , tenho um porta chaves carregado de chaves ,mas kuando abro a porta dessas casas não as vejo como minhas ,mas sim dos meus pais entendes? posso ser pobre e não ter uma chave em k eu abra a porta e diga: esta casa é minha. mas sei k sou boa de coração e isso já me deixa feliz.
gosto muito de lêr o teu blog e voltarei sempre. o meu já sabes! é pobrezinho igual á dona :=)~
bjo e um bom domigo para ti e para a vivian. adoro vocês
bjo
carla granja