sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Era para ser a minha coluna desta sexta....

Estou passando por uma crise criativa. Estou totalmente irregular com a minha coluna no jornal Expresso Ilustrado. Se durante quase todo o ano de 2005 acredito que consegui agradar a mim mesmo como leitor (e sou exigente) com relação ao que escrevo, nesses últimos dois meses, minhas crônicas tem saído um lixo, pelo menos para mim. A crônica que está sendo publicada nesta sexta-feira, eu escrevi as 2h da madrugada da última quinta-feira, morrendo de sono, enquanto fazia a diagramação do jornal. No entanto, sabia que não estava legal. Aí escrevi outra, que essa logo abaixo, mas não deu tempo de colocar para publicar. Das duas, não sei qual é a pior. Abaixo, a que não saiu, logo mais, publicarei a outra. Você decide: qual é a pior?


No divã
Um psicanalista, desses formados por correspondência, ficou surpreso quando aquele velho bonachão, barbudo, de roupas vermelhas e botas pretas entrou em seu consultório e acomodou-se. Como era época de Natal, pensou que se tratasse do Papai Noel contratado por alguma loja. "Doutor, sempre me sinto mal nesta época. É a TPN", disse o velho. O terapeuta coçava o queixo. Que diabo seria isso? "Tensão Pré-Natal", respondeu o velho antes que ele perguntasse. "Não vejo sentido em tudo isso, essa coisa de Natal, presentes, tudo é vazio demais...", observou, pesaroso. O pseudo-psicanalista passou a mão no busto de Freud, como que pedisse uma opinião para o caso e questionou: "Você teve problemas com sua mãe?". O busto de Freud despencou no chão, como se quisesse fugir daquela conversa.
"Não acredito no Natal", sentenciou o velho. "Recebo milhares de cartas de crianças exigindo brinquedos tecnológicos, celulares com câmera, outras de pais desesperados com a falta de esperança ou, até mesmo, cartas debochadas insinuando coisas pelo fato de gostar das crianças".
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Ao falar isso, o terapeuta teve certeza, era algum problema com a mãe, aquele paciente, estava com uma fixação infantil. Deveria ser um pedófilo. "Velho doido, acha que é o Papai Noel mesmo. Vou receitar um floral de bach para ele e fincar meus honorários". O velho questionou. "E você acredita em Natal?". O terapeuta fez que sim. "Todo mundo acredita". O velho levantou. "O que é Natal?, perguntou. "Bem, é a época para presentear, reunir a família, festejar. São tantas coisas". O velho já estava desistindo. "E qual o sentido disso tudo? Presentes são uma maneira de comprar afeto com coisas materiais. Um afeto irreal. O Natal é isso. Presentes caros demais, amor de menos. A humanidade se desumanizou e esqueceu o verdadeiro sentido do Natal. "E qual é?", perguntou o terapeuta. "Aquilo que não nasce em solo infértil, em corações contaminados pelo consumismo, pelas vaidades, e pela falta de amor: Cristo".

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